quinta-feira, abril 25, 2013

Vai um desenho aí?

Não sei você, mas, apesar do meu radiante pessimismo, sempre acho que a gente pode encontrar uma boa surpresa em qualquer lugar. E boa surpresa pode ser uma coisa inesperada, um amigo que apareceu depois de muitos anos, um objeto bonito e velho que serve pra alguma coisa, uma pessoa disposta a conversar. 

Conversar não está muito na moda hoje em dia, ainda mais quando é com algum desconhecido. Mas confesso que andar fora de moda é um talento meu. 

Trabalhando em um shopping aqui de Ribeirão, sou obrigada a comer na praça de alimentação todos os dias e é por lá que sempre vi um senhorzinho sentado, desenhando, sozinho. Às vezes alguém presta atenção nele, na maioria das vezes isso não acontece. Terminei de almoçar e resolvi tomar um gole de coragem. (gente muito fechada precisa de coragem pra falar com os outros tanto quanto os diabéticos precisam de insulina).

- Boa tarde! O senhor pode fazer um retrato meu?
- Posso sim. Pra ficar feia eu cobro mais caro. 

Já percebi que dali sairia algo de bom. Fui sentando.

- Faz tempo que o senhor vem desenhar aqui? Quanto é que o senhor cobra pra fazer esses retratos?
- Isso aqui é o meu passatempo, mocinha. Há três anos, desde que minha esposa morreu, venho aqui todos os dias. Sabe quanto tempo ficamos casados? 63 anos. 
- E o senhor mora por aqui?
- Numa casinha aqui perto. Pequeninha, pequenininha.

Nessas horas ele já tava rabiscando meu nariz e eu, explicavelmente, com uma puta vontade de chorar.

- Você tem irmãos?
- Tenho. Um mais novo. Ele desenha muito bem também. Faz arquitetura. Quer largar pra fazer medicina.
- Ah, não deixe não. Medicina é muito triste. Tem que cuidar de arte, essa é a parte boa da vida.
- E o senhor mora aqui faz tempo? Onde o senhor trabalhava?
- Morava em São Paulo. Fui desenhista a vida toda. Trabalhei no departamento de segurança do Estado. Faz uns 30 e poucos anos. 
- O senhor fazia retratos-falados?
- Sim. Só de criminoso. Eu desenhava bandido. Iam as vítimas lá e a gente mostrava uns narizes, uns olhos, umas bocas e ia perguntando: 'parece com esse?'. E eu ia desenhando o bandido.

Havia muito anos que eu não me afligia com gente devagar. Pra mim, eu estava sempre perdendo tempo. Ele desenhava tão devagar enquanto proseava que era impossível não pensar em quanta babaquice permeia a minha pressa diária. Eu vivo com pressa. Ele não. 

Ele disse que tem muitos quadros, esculturas e desenhos em sua casa, mas que por causa da idade não consegue mais fazer tantas coisas.

- Você sabe quanto tempo demorou pra Monalisa ficar pronta?
- Não, sei não.
- Pergunte pro seu irmão. Ele sabe.
- Vou perg...
- 20 anos. Leonardo Da Vinci demorou 20 anos pra fazer aquela expressão misteriosa. Você gosta de poesia?
- Um pouco, sim.

E foram 3 poesias declamadas ali, na praça de alimentação do shopping. Uma delas, eu lembro, era do Noel Rosa. Meu nariz foi ficando vermelho e o coração estrangulado.

- Noel Rosa era um poeta. Antigamente se fazia música com as poesias. Gosto muito de músicas semi-clássicas.

Dei risada porque 'semi-clássica' era uma expressão nova. Vou adotar. E nessa hora um mundaréu de gente começou a rodear a mesa em que estávamos. Ele parecia em outra dimensão e não se importou com as pessoas. Me perguntou o que eu fazia da vida e me perguntou se eu nunca quis escrever um livro. Contou que tem um fusca e mora sozinho. Pra ele, todo velho deveria ter um fusca.

- E não é ruim morar sozinho?
- É péssimo.

Ele terminou meu retrato e me deu. Me perguntou se eu não faria um retrato dele, porque não tinha nenhum. Falou que eu tinha cara de desenhista e mesmo eu dizendo que, apesar de gostar de desenhar eu não sabia, ele me deu as folhas e o lápis. Eu pensei que essa então seria minha aventura da semana: desenhar um desenhista na praça de alimentação do shopping. Desenhei de brincadeira e ele se divertiu.

- Me desenhou magrinho. É uma caricatura, não é? Eu perdi 7 quilos esses meses.
- E quantos anos o senhor tem?
- Eu sou velhinho. Bem velhinho.

E uma moça morena e grandona que estava ali do lado, olhando, ficou com os olhos cheios d'água.
desenhando meu retrato e com o retrato que desenhei pra ele.






terça-feira, fevereiro 26, 2013

Um príncipe encantado chamado trabalho

Levando em consideração que a busca frenética pelo sucesso profissional é hoje o que antigamente era a vontade que nossas avós tinham de ver nossas mães bem casadas, é fácil chegar a uma conclusão: estamos cada vez mais cagados em termos psicológicos. Sim, porque é fácil perceber que entre palestras motivacionais e textos fofos sobre felicidade, querem nos fazer engolir a história de que a gente tem que seguir nosso coração quando o assunto é trabalho.

Nós, garotas modernas cheias de ideias criativas dignas de ir pro TEDx, criticamos as outras – aquelas idiotinhas – que passam a vida esperando pelo príncipe encantado no cavalo branco. Enquanto isso, pulamos de emprego em emprego, esperando aparecer o trabalho dos sonhos. Temos algo em comum, não acha? 

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Antes de você pensar que tô defendendo o conformismo, o capitalismo, o maniqueísmo, o caralho, calma lá. Concordo e aplaudo muito quando alguém decide ir atrás do seu sonho. O problema é que somente uma ínfima porcentagem de pessoas conhece a fundo o seu próprio sonho a ponto de saber quanto ele custa, quais as desvantagens de seguí-lo, quão possível ele é, como ele pode influenciar na própria vida e na vida de quem está por perto.

Há dois anos, decidi trabalhar por conta própria e antes que me vejam como uma Joana D’arc do jornalismo, um aviso: eu tomei um belíssimo pé na bunda do meu antigo emprego e só por isso tomei essa decisão. Ser empreendedora, empresária, ou coisa assim, nunca foi meu sonho, aliás, sempre tive certeza que eu nunca teria perfil pra dar conta dessa vida.

O tempo passou e meu aprendizado se renova todo santo dia (inclusive naqueles em que a vontade de levantar da cama é nula). Aprendi a botar preço no meu trabalho e a lidar com a conta bancária flutuando entre meses de realeza e outros de cracolândia. Parei de me torturar com o chicote das críticas e mais, parei de exigir de mim mesma o Oscar da melhor profissional do mundo. Meu sonho mesmo era escrever pra revistas de Turismo e até que consegui, três ou quatro vezes. Mas tô aqui, num escritório lidando diariamente com minha culpa por não ter me tornado uma escritora viajante. Não ter horário para chegar no trabalho, poder tomar sol numa segunda à tarde, não ter chefe no pé, essas coisas não são vantagens, são consequências da escolha que fiz. Assim como 13°, férias, salário estável e amizades feitas no emprego também são consequências pra quem escolhe trabalhar com CLT.

Por outro lado, vejo pessoas agindo no mercado de trabalho não como profissionais, mas sim como artistas intocáveis que não têm hora, tampouco compromisso com o resto do mundo que está infinitamente abaixo da sua grandeza intelectual. É gente que teoricamente só faz o que ama, mas não é capaz de acordar cedo para ir a uma reunião e relincha quando é cobrado. Essa galera vale mais do que os outros? Really?

E por enquanto, se eu puder dar um conselho profissional, eu diria que é melhor parar e refletir sobre que tipo de sonho é o seu. Será que ele é mais importante do que o sonho do cara do almoxarifado que só quer um salário para alimentar as pessoas mais importantes da sua vida? Será que o que você vê como sonho profissional significa mais para o mundo do que a senhora que acorda às 4 da manhã para chegar na hora certa na casa da patroa?

Trabalho é trabalho. Sendo um profissional, em qualquer lugar vai ter chateação, decepção, ganhos, perdas, alegrias. A felicidade, posso te dizer, não iria querer ser representada por uma atividade capitalista, qualquer que seja ela. Trabalhamos por dinheiro, todos nós, e precisamos entender que dinheiro não deve ser um objetivo de vida, mas sim mais uma consequência do nosso esforço. 

O trabalho dos sonhos quase nunca chega pra quem não gosta de trabalhar.

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Fletcher manda um oi.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Mala.

- Viu o absurdo?

- Hein?

- O Malafaia?

- Aquele que odeia as bichas?

- É.

- As bichas odeiam ele mais. Está em total desvantagem.

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Essa tarde meio cinza me convidou pra comer chocolate. E comprei três. E paguei com a consciência. 

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Ainda um pouco de ressaca. Pelo Carnaval que já foi, pelo que ainda vem, pelos discursos que parecem ter vindo do fundo das cavernas e que aparecem toda hora na frente das minhas vistas. “Oras, gente, o Malafaia é doente”. Eu diria que não sou o público-alvo dele. Nem do U2. Mas prefiro shows do Bono do que os do Malafaia. São menos pirotécnicos.

- Tá, mas muita gente segue ele.

Muita gente segue o Nazismo. O Inri Cristo, o Kibe Loko no Twitter. Muita gente se acha Dalí, Jesus, Napoleão, Neymar, já vi até quem se achasse muito bonito. Muita gente procura coisas a vida inteira pra não achar nada. A maioria se acha, apenas. Tudo bem. Estamos aqui para coexistir. Vai ficar bom, esse mundo, uma hora. É que às vezes comer chocolate é muito mais enriquecedor.

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Espera aí, vou me preparar intelectualmente pra debater este mundo de fezes suínas que andam chamando de polêmica. 

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Não tenho nada contra os gatos. Tenho até amigos que são.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Um texto que não é meu mas gostaria que fosse

Certa vez, nessas andanças de internet, conheci um blog chamado Eat’n’Tell. Na época, os blogs ainda atraiam a atenção da gente, tinham textos interessantes e não eram tão apressadinhos e voláteis como redes sociais têm hoje. (Me vejo aqui em 1957 dissertando sobre como a televisão matou a magia do rádio. Coisa de retrógrados, ok.).

Bom, como era um blog sobre comida, caí de boca e comecei a conversar com a pessoa responsável por ele.

Eu e o Clayton Krichinak tínhamos muito em comum. Tanto que fui até São Paulo para ganhar a companhia real dele no show do Franz Ferdinand. Na porta do show, rolou um hambúrguer gigante e horas de tricô. Durante “Lucid Dreams”, teve camisa rodando por cima das nossas cabeças.

Bom, isso é pra dizer que ele é não é um psicopata da internet (alô, mãe), é um cara inteligentíssimo e que escreve muíto bem. Gostei tanto de um texto dele que pedi pra colocá-lo aqui no meu espaço. Leiam. E admitam: vocês também iriam a um show do Franz Ferdinand com ele.

Preconceito Permitido

‎"Mas ele fazia piada com evangélicos. Eles merecem."

Claro, porque você conhece todos os evangélicos do Brasil, não é mesmo? Sem questionar se o humor da Irmã Zuleide é preconceituoso ou não, um pensamento como o de cima é cheio de preconceito. E preconceito é preconceito, não importa grupo afetado por ele.

Existem religiosos que enriquecem e colocam no poder as pessoas que mais podem acabar com este país. Existem religiosos que lideram e participam de programas que levam comida e agasalho aos sem-teto.

Mas não. É como se existisse uma lista de grupos contra os quais o preconceito é permitido, e grupos com os quais não se pode fazer qualquer piada baseada em esteriótipo. O crente é ignorante, mas nossa como o ateu entende de ciência! O nordestino é batalhador e trabalha duro, que bonito! Mas nossa, paulista só pensa em trabalhar, que deprimente. O pai hétero que não quer o filho na aula de ballet é machista, mas o pai gay que não quer o filho na escola de futebol tá salvando a criança de, um dia, ter cabelo de calopsita.

Quanta gente, mesmo fora do meio, ama incondicionalmente e defende os gays, né? Claro, nós somos pessoas normais, tão pagadores de impostos e tão capazes de criar uma família como qualquer cidadão. E somos admirados pela força e pela luta. Mas você já notou quantos gays babacas existem por aí? É impossível conhecer muitos de nós sem saber que há alguns que são agressivos gratuitamente ou se dão bem às custas dos outros. E ter 900 milhões de dólares oriundos de dízimo na conta corrente não é exatamente o antônimo de "se dar bem às custas dos outros".

E o mesmo vale pra gordos, negros, ateus e feministas.

Tem muito gordo babaca. Tem muito magro babaca. Tem muito negro babaca. Tem muito branco babaca. Tem muito ateu babaca. Tem muito religioso babaca. Agnóstico babaca eu não conheço, nós somos ótimos. Tem muita feminista babaca. Tem muito machista babaca (exatamente todos). Tem muito gay babaca. Tem muita lésbica ba...cana (não quero apanhar). Tem muito judeu babaca. Tem muito americano babaca. Tem muito brasileiro babaca. Tem muito tucano babaca. Tem muito petista babaca. Tem muito usuário Apple babaca. Tem muito usuário Android babaca. Tem muita dog-person babaca. Tem muita gente que tem dois gatos e se intitula cat-lady como se fosse uma coisa boa. E é babaca.

Tem muita GENTE babaca.

Os que defendem as minorias não usam como argumento o fato de que somos todos iguais e assim devemos ser tratados? Pois saibam que, igualmente, todos nós temos o potencial para ser babaca.

A boa notícia é que não ser está nas nossas mãos.

(Se você procurar, tem piada baseada em esteriótipo aos montes neste texto. Eu nunca disse que não há o menor dos preconceitos em mim.)

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Um beijo da Vivi e Can’t Stop Feeling pra você, meu querido.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Certo é coisa errada

Temos muita dificuldade em fazer as coisas da maneira correta. Sempre queremos um atalho, uma maneira mais rápida de conseguir isso ou aquilo. Achamos que a vida é um jogo de truco e apostamos na esperteza, acreditando piamente que quem perde realmente merece por ser tolo demais.

Todo mundo tem justificativa pra tudo. Somos os reis das finalidades importantíssimas e julgamos que nossos motivos devem estar acima dos motivos dos outros.

O trânsito é um dos melhores cenários pra vermos de camarote toda a boçalidade da nossa raça. Diminuímos no radar e aceleramos logo em seguida, paramos o carro na vaga de idosos porque é rapidinho, enfiamos nossas caminhonetes importadíssimas numa fila dupla porque nosso filho está saindo da escola e ele não pode andar meio quarteirão até onde há uma vaga adequada. Enchemos a cara e tentamos burlar a polícia às gargalhadas. Xingamos os velhos, os novos, as mulheres, os aprendizes de motorista, e tudo justificado, pois eles são o que são e isso já basta.

Roubamos direta ou indiretamente dos nossos patrões achando que eles não sentirão falta porque, afinal de conta, são patrões. Roubamos os nossos funcionários, exigindo trabalho grátis, pois eles são apenas funcionários. Furamos a fila do restaurante porque somente a nossa hora de almoço é apertada.

Enquanto sustentarmos a certeza de que o mundo gira ao redor do nosso umbigo, teremos a falsa impressão de que estamos ganhando o jogo. Mas é bom lembrar também que, independente do que acreditamos ou deixamos de acreditar, a lei do retorno é sempre válida e não faz distinção. Roubou, um dia vai devolver, em tempo, em energia, em dinheiro, em saúde. A vida costuma ter várias moedas de troca.

Chegará uma hora que outro espertinho vai parar na sua vaga. E aí você se sentirá mais injustiçado do que todo o resto do mundo.

A gente curte um teatrinho, né? Depois do espertalhão, o papel que mais bem desempenhamos é o de pobre coitado.

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Gustav Kluge

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Sem talheres

Sentei numa mesinha lá, depois de pleitear a vaga com aquele jeitinho meigo de psicopata de shopping. E logo chamaram a minha senha. Comida, graças a Deus.

- Ôi, você pode trocar os talheres pra mim, por favor? Veio um garfo e uma faca de plástico.

- É que com o almoço da promoção você não tem direito a talheres, só esses de plástico.

- Como?

- É, são ordens da gerente.

- Mas como você supõe que eu coma um frango empanado com talheres de plastico?

- Ah então. São ordens da gerência.

- Moça, nem quero mais os talheres não, só tô pedindo pra você me ensinar como é que se come frango empanado com um garfo de plástico.

- Alá, Fabiana, já falamo pra gerente né? Não adianta.

- Você quer chamar a gerente aqui pra ela me ensinar a comer essa merda de almoço com talheres de plástico?

- Não moça, não cria caso. Olha, faz o seguinte, vai ali naquele armário, e pega uns talheres sem ninguém ver.

- Minha filha, você quer que eu aja como delinquente e pegue uma coisa es-con-di-da aqui?

- É, fazer o que.

Virei pro cara que estava na fila e perguntei se a zoeira era só comigo. Ele deu uma risada e pagou no caixa R$0,79 pela esfiha. Depois de uns 15 minutos chegou um menino com um saquinho de plástico, com um garfo e uma faca de metal.

- Tó, moça, mas não deixa ninguém ver.

A impressão que eu tive foi que o almoço estava com gosto de demissão. Com um certo prazer, sentei bem à frente do caixa e engoli cada garfada olhando nos olhos da senhorita do atendimento. O tilintar do garfo entre os meus dentes produzia o som da vitória egoisticamente conquistada com um micro-barraco na praça de alimentação.

Acabei de comer e tentei descobrir onde estava a câmera escondida. Não achei até agora.

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