sexta-feira, dezembro 29, 2006

Um ótimo reveião pra todo mundo e muito, muito cuidado com os exageros. Eles costumam fazer mal.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Amanhã vou viajar. Vou ver as vacas, as galinhas, os porquinhos e tudo mais que se pode achar num sítio. E de brinde, vou poder andar à cavalo, comer 78 pães de queijo, 13 quilos de doce de leite da tia e tomar aquele café meio transparente e extremamente doce. Talvez um contato mais próximo com a natureza possa me fazer bem, um ar verde nos pulmões faz maravilhas. Depois de uma conversa aberta com o universo e com deus, acho que eu posso me divertir um pouco com o que realmente é divertido. Talvez ele tenha me dado um susto, ou uma nova oportunidade. Ele olhou bem nos meus olhos e disse “agora acorda”. Pronto. Acabei de ganhar um crédito extra e agora, tenho certeza, a coisa vai ter que ser realmente muito grande pra me chatear. E olha, juro que não vou me preocupar com o que não mereça minha preocupação, nem me abater com o que não chega aos meus pés. Como disseram as mães-de santo e as esotéricas hoje num programa de tevê, 2007 vai ser decisivo, pesado, intenso, o ano do vai ou racha, do caga ou sai da moita. Então, vou é aproveitar. E juro, volto pra capoeira logo em janeiro. Um poema da Adélia Prado talvez consiga definir tudo. Quando nasci um anjo esbelto,desses que tocam trombeta, anunciou:vai carregar bandeira.Cargo muito pesado pra mulher,esta espécie ainda envergonhada.Aceito os subterfúgios que me cabem,sem precisar mentir.Não sou feia que não possa casar,e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.Minha tristeza não tem pedigree,já a minha vontade de alegria,sua raiz vai ao meu mil avô.Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.Mulher é desdobrável. Eu sou. Bão Reveião pra todo mundo!

sábado, dezembro 23, 2006

Tem certas coisas que fazem questão de permanecer em nossas vidas, mesmo sendo alvo direto de olhares desatentos e indiferentes. Minha casa é assim. Todas as casas são assim. E especialmente, as casas das vovós são assim mais do que as outras. Aqui onde eu moro e sempre morei – com minha avó - as paredes transpiram passado como se estivesses aflitas para contar tudo o que sabem. Hoje de manhã eu estava no quartinho que tem aqui no fundo de casa e prestei atenção no que as paredes estavam contando, coisa que mais ninguém faria. E eram casos tão antigos e tão sem importância que exigiam um certo olhar instigante para não se tornarem medíocres. Quando se abre a porta desse quartinho, dá-se de cara com um sofá bicama cor-de rosa, que se lembra nitidamente de todos os amigos que sentaram lá. Amigos crianças, adolescentes, adultos, gente que foi importante, outros que ainda são e alguns de quem nem lembro mais. Logo à direita, um armário embutido que guardou durante muitos anos todos os meus brinquedos, inteiros e quebrados, mas que preencheram as prateleiras como se fossem tesouros muito bem escondidos por uma porta transparente de correr. Em cima desse armário, malas velhas e caixas que guardam coisas que ninguém mais se lembra, papéis e recordações que precisam ser esquecidas, mas que ninguém tem coragem de jogar fora. Lá do lado esquerdo, ainda resiste uma geladeira vermelha, única, que fica com os almoços da semana e que combina com o armário suspenso vermelho, que flutua na parede ao lado. Em frente à geladeira, um armário de madeira que guarda um passado com cheiro de suco de limão e bolacha maisena, que recheavam a minha lancheira catolicamente todos os dias até os meus seis anos. O armário abraça e protege cadernos de caligrafia, livros infantis, revistas antigas e muitos desenhos meus, tudo junto à coleira de cachorro, maleta de ferramentas enferrujadas e tecidos amarelados que talvez ainda desejam se tornar vestidos. Ao lado da porta tem um baú que ocupou o lugar de uma mesa e era nessa mesa que não existe mais que eu brincava enquanto minha avó fazia o café e o dia ia nascendo. Eu gostava de misturar farinha com água e achava que essa era a receita do bolinho de chuva. Quando minha avó resolvia, a casa inteira cheirava bolinho de chuva, que eram bem vindos mesmo quando o sol estava nos seus dias de fúria. E naquela mesa eu também misturava água com gesso e fazia esculturas que deveriam invejar qualquer escultor contemporâneo. E pintava com aquarela. Era lá também que eu fazia o dever de casa, desenhava. E até, hoje, na parede desse quartinho tem uma obra-prima minha, que eu fiz no auge dos meus oito anos e que consiste em uma ilha com um coqueiro e um peixe voando ao lado do coqueiro. Logo ao lado, uma janela, pela qual eu costumava pular com um guarda-chuva aberto, crente que iria sair voando em um metro e meio de altura. As paredes também lembram de certos ensaios musicais que eu fazia, quando tinha quatro ou 17 anos, com instrumentos de plásticos e de verdade, com a percussão de panelas ou uma bateria de verdade. Na parte de fora, existiam dois canários, cada um em sua gaiola. O Tuim e a Mocinha. Depois de 10 anos presa, a fêmea resolveu se arriscar na liberdade e foi embora e, passados dois dias, o macho não quis mais acordar, amanheceu caído no piso da gaiola, triste por ter sido abandonado. Morreu de solidão. Hoje, o outro canário que ocupa a gaiola não tenta fugir, mas também não faz idéia do que é ter uma companhia e nem o que é ser livre. As paredes do quartinho estão todas sujas e não só pelos rabiscos do meu irmão, mas pelo mofo, a umidade. E mesmo assim, elas continuam contando suas histórias quase já esquecidas. Lembram de todos os que passaram por lá, gente que já se foi ou que ainda está aqui. E me impressiona o fato de elas nunca se cansarem de contar essas histórias, mesmo sem ninguém estar disposto a ouvir.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Atores irritantes - parte 1 Tem certas celebridades que conseguem me irritar até o dedinho do pé só de aparecerem na televisão - ou no cinema. Ei-las. #1 - Pelo amor de deus, alguém me fala da onde saiu essa pessoa? Só pode ter sido do reino do Senhor dos Anéis ou daquele filme A História sem Fim, porque com essa cara de elfo com fome quem vai dar crédito? Querido, você deveria ter recusado a substituição do Pierce Brosnan (esse sim, tiozão 100%), por piedade ao resto da humanidade. Você não me convence nem um pouquinho que a sua arma é potente. Vai ser feio assim lá na sua casa! #2 - Onde esse mauricinho metrosexual pensa que vai pagando uma de gatão? Não tem como se achar bonito usando uma cueca por cima da calça, né, impossível. E outra, esse cabelo aí que não desmancha nem depois de segurar um avião ou depois de dar um trato naquela outra coisinha braba lá com cara de poucos amigos. Aposto que o cabelereiro dele é o Jassa, o cara que faz o Silvio Santos ter o mesmo cabelo há 97 anos. De pinta de jornalista, Klark, c passa longe. #3 - Thiago Lacerda. Tudo bem, c pode ser bonito e tal, mas que cabeça é essa meu filho? C passou 6 vezes na fila do crânio né? Ainda bem que ele é grande, tinha que ser proporcional ao tamanho do pote. E ainda quis falar italiano toscamente na novela, e só conseguia pronunciar "Ma che te voglio tanto bene, Giuliána, Giuliána, Giuliána". Virou irmão da distinta. Ô atorzinho paia viu. #4 - E pra finalizar, esse que tem a maior cara de corno da televisão Brasileira, Murilo Benício. Meu, nunca vi alguém que tenha uma cara assim, de bebê chorão que acabou de pegar a mulher com outro e tá se lamentando no boteco disposto a formar uma dupla sertaneja com outro bêbado chifrudo. Não dá. E aquele filme que pintaram o cabelo dele de amarelo? Tava parecendo irmão da Carolina Dieckman. Não conseguiu ser suportado nem pela doida da Alessandra Negrini (que deve tá fazendo marmitex pra vender junto com o Otto) e nem pela chata da Giovana Antonelli. Credo.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Pavor natalino O Natal sempre me encheu o saco. Aquelas musiquinhas com harpa e vibrafone me davam nos nervos e as comidas natalinas nunca me apeteceram. É sempre a mesma coisa, aquela mistura bombástica de proteínas, carboidratos e muita, muita gordura trans na lasanha da tia, no peru da vovó, no leitão do primo e no lombo da mamãe. Que nojo aquele porco deitado na mesa com uma maçã na boca, posando ao lado de uma melancia cortada em zig zag. Eu não chegava nem perto da mesa. Na minha família sempre comeu-se demasiadamente e quando chegava a meia noite do Natal, a comida já tinha acabado. Já era hora da sobremesa. Pudim, sorvete, gelatina, creme de não sei o que, doce de figo, abóbora, mamão e laranja, feitos durante o mês inteiro pelo Tio Bado, aquele que curte um binguinho. Uma grande parte das pessoas que estavam lá eu nem conhecia e minha mãe me obrigava a abraçar cada um deles e dizer "feliz natal". Que ódio! Pior aquela tia vinda lá do cafundó do brejo que abaixava à minha altura, apertava minha bochecha com a força de um gladiador e dizia "Como você está linda, como cresceu! Já está uma mocinha!". E sempre tinha um imbecil que se vestia de papai noel, ia pra garagem se trocar achando que ninguém ia ver. Uma vez eu fiquei na janela espiando, vi quem estava lá colocando aquela barba ridícula e fui contar aos berros pras outras crianças - algumas que eu nem sabia de onde tinham vindo. Posso ter sido a causadora de vários traumas infantis naquela época, eu sei, mas o espírito de jornalista já aflorava no meu íntimo. E a hora de entregar os presentes eram sacos e sacos de pacotes brilhantes e atraentes, que eu rasgava com toda a atrocidade de uma menina de oito anos. Foi aí que eu conheci o significado da palavra decepção. "Eu não gosto de Barbie tia, eu queria um skate". Não adiantava. Durante anos minha prateleira acumulou um sem número de Barbies, Kens, Moranguinhos e todo o resto de brinquedo inútil. E eu nunca ganhei um skate. Apesar de tudo isso, pra mim era um dos dias mais legais do ano, porque eu brincava, ganhava presentes de todos os tipos, tamanhos e cores e passava o dia inteiro nadando na casa da minha prima. Isso sim era legal. Aí depois, os anos foram passando, os presentes cada vez em menos quantidade, até chegar ao ponto de eu não ganhar mais nenhum presente da família. Não precisava mais de Barbie mesmo, já tava bastante crescidinha. E as coisas começaram a ficar chatas, sem graça, broxantes, pratiamente. E hoje em dia, certas coisas me enchem ainda mais a paciência. Aquelas decorações de natal dos shoppings me dão medo. Tudo verde e vermelho, quem nem o filme da Amelie Poulain, muita pomposidade, muito trililique, sinos chatos, renas afeminadas e um papai noel com a cara cansada. E ninguém nem imagina que a figura do gordinho simpático surgiu para divulgar a coca-cola em mil novecentos e bola. Ir no shopping na época do Natal então, nem pensar, é capaz de você ter um ataque de sociofobia ou ser carregado por uma tsunami de compradores compulsivos. Se vai no centro da cidade então, é tudo muito pior. Papais noéis esqueléticos ficam dando bala na porta das lojas, balançando um sino na sua orelha, gente que vai e vem carregando sacolas imensas cheias de porcarias que estavam em liquidação no camelô ou nos atacadões das bugigangas. Credo. Hoje, quando chega dezembro, eu já começo a entrar em pânico e a pensar o que eu vou fazer pra fugir de tudo isso. O pior é que indubitavelmente eu preciso do bolso cheio pra fazer qualquer coisa fora desse cenário digno de uma produção do José Mojica. Trash. Mas, se não der, tudo bem, eu torço pra que o dia passe logo, me preparando para dali uma semana, passar por tudo de novo, mas dessa vez ao lado de um monte de gente de branco, comendo sopa e lentilha e guardando sementes de romã na carteira.

terça-feira, dezembro 12, 2006

*Dicas importantes da Glória kalil para evitar bafão na festa da empresa Algumas dicas práticas para que a festa do fim do ano não se torne a festa do fim do mundo. 1. Bebeu demais e deu vexame? Peça desculpas e redobre sua seriedade no trabalho mesmo sabendo que ninguém vai esquecer do vacilo. 2. Não fale de trabalho nesta noite. É hora de conhecer melhor seus colegas e conversar sobre outras coisas. 3. Um colega bebeu demais? Leve o colega pra fora, ponha no táxi e mande para casa antes que ele acabe se prejudicando. 4. O chefe bebeu demais? Peça que a secretária dele ajude a levá-lo embora e não comente o assunto com ninguém. 5. Deixe o vestido decotado e curto para festas sociais. Festa de empresa continua sendo uma atividade da empresa. 6. Não gosto de festas e sou tímido; é feio não ir a uma festa da empresa? Não pega nada bem. Faz uma forcinha, sente ao lado de um colega com quem tem mais intimidade, mas não deixe de ir. 7. Nestas festas costumam acontecer "cantadas". Como dizer "Não" sem ofender? Dizendo "Não" com um sorriso! *No meu caso, na festa de ontem, eu só deixei uma vovozinha cega com o palito q tava prendendo o meu cabelo... fui cumprimentá-la e pim. Só deu pra ouvir aqulele "ai" quase sumido. Isso porque pra chegar na festa tinha um pedágio e pedágio não forma par com quem não anda com dinheiro na carteira. A sorte foi que tinha um amigo meu com a familia inteira me guiando na frente e eu não tive outra opção. Desci no meio do pedágio, chiquérrima, de tomara que caia e salto, e saí gritando ele, que ja tinha pago o pedágio. "OU! PERAí!!! Alguém tem dinheiro pra me emprestar??????". "Claro santa, pega aqui". A noite tinha começado muito bem. Depois, pra fechar a noite, eu me perco na estrada e me enfio num canavial, no meio de uma usina, sozinha, sem nenhuma alma pra me mostrar o caminho de volta. E o medo e ser abduzida? Sim, porque essas coisas acontecem, principalmente em locais desse naipe. Até q dois guardas fizeram a caridade de me tirar de lá.... devem ter ficado com dó né... a cara que eu devo ter feito quando falei "moço, eu só quero voltar pra Ribeirão"...com certeza cortou o coração deles. Adoro festas.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Desleixo causa apagão em todo o país A incrível história do parafuso frouxo que causou o blecaute reflete a precariedade e o desleixo do sistema de energia no País Foram dois cabos de transmissão. Um caiu e outro, que fazia o mesmo trajeto, parou de funcionar. Imediatamente, 67 milhões de brasileiros de dez Estados, além do Distrito Federal, ficaram no escuro. Uma surpresa para o governo, segundo admitiu no dia o próprio ministro das Minas e Energia, José Jorge um susto enorme para a população, já acuada com a explosão da violência. E uma explicação extraordinária: o apagão que aconteceu na segunda-feira 21, com o rompimento de duas linhas de transmissão entre a hidrelétrica de Ilha Solteira e a subestação de Araraquara, no Estado de São Paulo, provocando uma interrupção no fornecimento que variou de menos de dez minutos, em Brasília a mais de sete horas em algumas cidades paulistas, foi provocado por um prosaico parafuso frouxo em uma das junções que seguravam as linhas de transmissão. Segundo a explicação oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tal parafuso acabou causando um desgaste que terminou no rompimento de um dos cabos, problema agravado com a pane no sistema de segurança. Ele deveria ter desligado apenas uma linha, mas desligou dois cabos de transmissão. Deu no que deu: o Brasil, que anda frequentando o noticiário internacional por causa da assombrosa violência, ganhou mais espaço na mídia estrangeira com a insólita história do parafuso – aliás, tão bisonha quanto à do raio que, em 11 de março de 1999, deixou 76 milhões de brasileiros no escuro. A desculpa esfarrapada do governo de que um raio teria atingido uma torre de distribuição da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Bauru, não resistiu a depoimentos e documentos: o apagão de 1999 ocorreu porque o esquema não estava preparado para a sobrecarga. *Ah! Vá vá, pra que tudo isso! Quem é que não tem um parafuso solto? Sugestão: fuzzili com calabresa para os dias de fúria.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Pra começar algo bastante relevante. Japonesa corta os cabelos e cria mega-cílios postiços Sabe quem é a Geisha? Não, não estamos falando das gueixas, mas sim de uma blogueira famosa no Japão por causa de, digamos, seu lado bizarro-instigante. Geisha Asobi reúne, em seu site, notas sobre consumo e esquisitices da internet. Mas a mais divertida faceta da sua obra na web são as interferências que ela faz no próprio corpo ou em auto-retratos. Dessa vez, Geisha Asobi publicou em seu Flickr uma "performance" bizarra. Primeiro ela cortou os próprios (longos) cabelos. Em seguida, fez deles... cílios postiços! Torcemos para que ela já tenha tirado a cabeleira dos olhos: além de não ter ficado nada bonito, ela ficou parecendo com a monstra-vilã do filme O Grito. *Interessante. Dá pra fazer em vários lugares. Já vou fazer um bigode.