
Manicures são seres muito peculiares. Tudo bem que tem gente que não curte muito trocar umas idéias enquanto arrancam sua cutícula, mas é praticamente impossível não interagir com elas, simplesmente pelo fato de elas não conseguirem ficar um minuto sequer sem falar alguma coisa. E são engraçadas por falarem sobre as coisas mais absurdas com quem nem conhecessem.
Outro dia, logo depois do reveião, eu fui fazer a unha. Sentei, dei a mão pra moça e, passados dois minutos, ela começou:
- Menina, faz três dias que eu não como.
Olhei pro lado e pensei: ai cristo. Mas com toda a paciência que me é intrínseca, lá fui eu.
- É? E por que? Tá de regime?
- Aconteceu uma coisa muito chata nesse Ano Novo e eu estou muito mal.
- É mesmo?
- (início da dissertação) Fui passar o reveillon na casa do meu namorado, porque a gente já namora faz cinco anos. Tava tudo bem até que eu descobri que ele estava me traindo com uma prima de 16 anos, aquela vadia.
Nessa hora comecei a sentir falta de um pedaço do meu dedo...
- É mesmo? E aí? Nossa, que bafo, digo, que horror.
- Dezesseis anos! Peguei os dois na cozinha, no meio da madrugada. A vadia veio de Uberlândia e dormiu na casa dele. Eu já tava desconfiada porque essa menina ficava se insinuando pra ele e vivia rindo da minha cara, abraçando ele, me tirando nos almoços de família. Vai querer redonda ou quadradinha?
- Quadrada.
- Aí menina, eu fiz o maior barraco, puxei ela pelos cabelos e enchi a cara dela de tapa. Logo depois ela pegou o ônibus de volta e voltou pra cidade dela, aquela vadia.
- E o seu namorado, o que falou?
- Ele disse que tinha errado, que me amava e que não queria me perder. Pediu desculpas de joelhos na frente da família dele. Mas eu fui mais forte e disse que lá não pisava nunca mais e que não era pra ele aparecer na minha frente. Me despedi dos meus sogros e fui embora.
- Poxa...
- E eu não consigo esquecer isso, porque eu amo ele demais. Que cor você quer passar?
- Marrom.
- Aí ele me liga toda hora, falando que quer conversar. Mas eu não quero conversar não, só vou voltar com ele se ele se arrastar aos meus pés, pra ele comer na minha mão. Porque homem, minha filha, só funciona desse jeito. É tudo igual. E aquela vadia lá, nossa, que ódio. E desde esse dia eu não consigo comer. Já emagreci três quilos. Só água desce.
- Ah, pelo menos tem uma coisa boa né? (nossa, que merda).
- Eu não desejo isso nem pro meu pior inimigo..mas eu queria que aquela vadia fosse atropelada e não andasse nunca mais.
- Entendo, mas é bom se distrair né?
- É. Bom, gostou? É só passar lá no caixa. Volta mais vezes pra gente conversar.
- Claro. Semana que vem eu to aí de novo.
Ahã.
Outro dia, logo depois do reveião, eu fui fazer a unha. Sentei, dei a mão pra moça e, passados dois minutos, ela começou:
- Menina, faz três dias que eu não como.
Olhei pro lado e pensei: ai cristo. Mas com toda a paciência que me é intrínseca, lá fui eu.
- É? E por que? Tá de regime?
- Aconteceu uma coisa muito chata nesse Ano Novo e eu estou muito mal.
- É mesmo?
- (início da dissertação) Fui passar o reveillon na casa do meu namorado, porque a gente já namora faz cinco anos. Tava tudo bem até que eu descobri que ele estava me traindo com uma prima de 16 anos, aquela vadia.
Nessa hora comecei a sentir falta de um pedaço do meu dedo...
- É mesmo? E aí? Nossa, que bafo, digo, que horror.
- Dezesseis anos! Peguei os dois na cozinha, no meio da madrugada. A vadia veio de Uberlândia e dormiu na casa dele. Eu já tava desconfiada porque essa menina ficava se insinuando pra ele e vivia rindo da minha cara, abraçando ele, me tirando nos almoços de família. Vai querer redonda ou quadradinha?
- Quadrada.
- Aí menina, eu fiz o maior barraco, puxei ela pelos cabelos e enchi a cara dela de tapa. Logo depois ela pegou o ônibus de volta e voltou pra cidade dela, aquela vadia.
- E o seu namorado, o que falou?
- Ele disse que tinha errado, que me amava e que não queria me perder. Pediu desculpas de joelhos na frente da família dele. Mas eu fui mais forte e disse que lá não pisava nunca mais e que não era pra ele aparecer na minha frente. Me despedi dos meus sogros e fui embora.
- Poxa...
- E eu não consigo esquecer isso, porque eu amo ele demais. Que cor você quer passar?
- Marrom.
- Aí ele me liga toda hora, falando que quer conversar. Mas eu não quero conversar não, só vou voltar com ele se ele se arrastar aos meus pés, pra ele comer na minha mão. Porque homem, minha filha, só funciona desse jeito. É tudo igual. E aquela vadia lá, nossa, que ódio. E desde esse dia eu não consigo comer. Já emagreci três quilos. Só água desce.
- Ah, pelo menos tem uma coisa boa né? (nossa, que merda).
- Eu não desejo isso nem pro meu pior inimigo..mas eu queria que aquela vadia fosse atropelada e não andasse nunca mais.
- Entendo, mas é bom se distrair né?
- É. Bom, gostou? É só passar lá no caixa. Volta mais vezes pra gente conversar.
- Claro. Semana que vem eu to aí de novo.
Ahã.
