sábado, fevereiro 24, 2007

Redondinha ou quadradinha?


Manicures são seres muito peculiares. Tudo bem que tem gente que não curte muito trocar umas idéias enquanto arrancam sua cutícula, mas é praticamente impossível não interagir com elas, simplesmente pelo fato de elas não conseguirem ficar um minuto sequer sem falar alguma coisa. E são engraçadas por falarem sobre as coisas mais absurdas com quem nem conhecessem.

Outro dia, logo depois do reveião, eu fui fazer a unha. Sentei, dei a mão pra moça e, passados dois minutos, ela começou:

- Menina, faz três dias que eu não como.

Olhei pro lado e pensei: ai cristo. Mas com toda a paciência que me é intrínseca, lá fui eu.

- É? E por que? Tá de regime?

- Aconteceu uma coisa muito chata nesse Ano Novo e eu estou muito mal.
- É mesmo?

- (início da dissertação) Fui passar o reveillon na casa do meu namorado, porque a gente já namora faz cinco anos. Tava tudo bem até que eu descobri que ele estava me traindo com uma prima de 16 anos, aquela vadia.

Nessa hora comecei a sentir falta de um pedaço do meu dedo...

- É mesmo? E aí? Nossa, que bafo, digo, que horror.

- Dezesseis anos! Peguei os dois na cozinha, no meio da madrugada. A vadia veio de Uberlândia e dormiu na casa dele. Eu já tava desconfiada porque essa menina ficava se insinuando pra ele e vivia rindo da minha cara, abraçando ele, me tirando nos almoços de família. Vai querer redonda ou quadradinha?

- Quadrada.

- Aí menina, eu fiz o maior barraco, puxei ela pelos cabelos e enchi a cara dela de tapa. Logo depois ela pegou o ônibus de volta e voltou pra cidade dela, aquela vadia.

- E o seu namorado, o que falou?

- Ele disse que tinha errado, que me amava e que não queria me perder. Pediu desculpas de joelhos na frente da família dele. Mas eu fui mais forte e disse que lá não pisava nunca mais e que não era pra ele aparecer na minha frente. Me despedi dos meus sogros e fui embora.

- Poxa...

- E eu não consigo esquecer isso, porque eu amo ele demais. Que cor você quer passar?

- Marrom.

- Aí ele me liga toda hora, falando que quer conversar. Mas eu não quero conversar não, só vou voltar com ele se ele se arrastar aos meus pés, pra ele comer na minha mão. Porque homem, minha filha, só funciona desse jeito. É tudo igual. E aquela vadia lá, nossa, que ódio. E desde esse dia eu não consigo comer. Já emagreci três quilos. Só água desce.

- Ah, pelo menos tem uma coisa boa né? (nossa, que merda).

- Eu não desejo isso nem pro meu pior inimigo..mas eu queria que aquela vadia fosse atropelada e não andasse nunca mais.

- Entendo, mas é bom se distrair né?

- É. Bom, gostou? É só passar lá no caixa. Volta mais vezes pra gente conversar.

- Claro. Semana que vem eu to aí de novo.

Ahã.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Atribuições da mulher moderna


Aproveitando quase uma semana sem trabalhar e sem uma alma viva (os encostos não interessam) de companhia, eis que eu tomo uma das atitudes mais sensatas dos últimos meses: lavar o carro. Sempre gostei muito de lavar carro, mas ultimamente é tanta preguiça, tanta fadiga, que eu sempre acabava deixando pra depois. E sábado eu pensei “depois o caralho, vou dar um jeito nessa coisa azul agora”.
Pela primeira ou segunda vez na minha vida eu senti a ira de um aspirador de pó ligado nas minhas mãos e comecei a tarefa, muito mais árdua do que eu imaginava. Descobri um verdadeiro buraco negro no meu carro e que lá dentro estavam coisas até então dadas como desaparecidas. Canetas e brincos e um tanto de cabelo pelo chão que me fez pensar que eu já estava careca. Tinha terra no chão do carro! Terra, panfletos de supermercado aos millhares e um convite de uma vez que fui numa festa bizarra regada a chapéus, fivelonas, rainhas de rodeio e até a queima do alho. O pior é que foi tão divertido...
Começou a limpeza. Um calor desgraçado e muita, muita sujeira. Até lavar tapete no tanque eu lavei. Juro que, com base nas coisas que encontrei lá dentro, fazia uns 9 meses que o carro não era lavado. Próximo passo, lavar por fora, mas essa parte era fácil porque eu tinha um vale-ducha do posto. Duas (eu disse DUAS) horas na fila pra lavar o carro. Saiu lindo, uma gracinha, nem parecia que era meu. Próximo passo: trocar o óleo.
Sempre odiei fazer esse tipo de coisa porque mulheres nunca são levadas a sério em posto de gasolina. Mas era preciso e fui pra lá.
- “Moço, ainda ta fazendo troca de óleo? Quanto é?”.
- “Ah, o caminhão não chegou ainda, só mês que vem”.
Silêncio.
- “há-há-há, to brincando, é só esperar ali na fila”
Muito puta e pensando “porque você não zoa a tua mãe, filho da puta?”, fui até o lugar da troca de óleo e pedi pro cara trocar.
- “Tem o GTI 783, o JH 67 e o especial N2T com 30% de aditivo especial, qual você quer?”
Silêncio.
- Qual o mais barato?
- O GTI 783.
- Esse mesmo.
Deixei R$ 55 no caixa. Um absurdo esse preço, um saco aspirar o carro por dentro. Mas ele ta uma gracinha e toda vez q a cor dele ressurge da poeira eu lembro de cada lugar que ele já foi comigo. Hoje ouvi uma pessoa na tevê dizendo que azul é ótimo pra levantar o astral, pra espantar más companhias e almas penadas. Deve ser por isso que eu não troco ele por nada. Claro, porque a falta de dinheiro é um detalhe praticamente insignificante.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Carnaval, essa festa encantadora

E se fez verdade a velha piada sem graça. Sim, eu vi a Mangueira entrar. Nada no Carnaval é tão deprimente quanto assistir ao desfile pela televisão, pois é como se todas as passistas, mestres-salas e artistas da Globo olhassem nos seus olhos e dissessem: “Babaca”. Mas enfim, não tinha outra opção.
Depois de aproveitar o super desconto da locadora para quem não tem mais o que fazer no feriado e de passar na sorveteria, cheguei em casa com tudo o que eu precisava: cinco filmes e 10 picolés de melancia. Começou a maratona com um do Woody Allen que é péssimo (não sei porque insisto em gostar das coisas dele) e o indigesto Super Size Me. Logo depois, o prazer descomunal de ver a Mangueira entrando e mais um obra-prima do cinema-que-não-serve-pra-nada: Ricos, Bonitos e Infiéis, esse, versão brasileira Herbert-Richards. À exata uma hora da manhã: um ataque. O estômago repetia incansavelmente “pão de queijo, pão de queijo, pão de queijo” e não me deixou em paz até que peguei meu carro e fui até o posto. Ótimo, que beleza. A loja de conveniência entupida de gentis rapazes bêbados e suados que tinham acabado de sair de bailes lá perto e foram no posto acabar a noite. E o pior, não tinha pão de queijo pronto nem nada que se parecesse com comida, pois aquela massa de testosterona e de gentileza masculina havia comido tudo visceralmente antes de eu chegar. Tive que sair de lá com um saco de congelados. Na madrugada, eu assando pão de queijo em casa.
Mas o que mais me impressionou nesse Carnaval não foi nada disso. Foi presenciar a volta das vinhetas de carnaval do Silvio Santos! Que alegria, que felicidade! E o melhor de tudo: praticamente igual às que passavam em 1987, com a pipa do vovô que não sobe mais e toda a sorte de poesia carnavalesca. É um enigma como o SBT ainda sobreviver, porque a cada dia que passa, mais eu me convenço que o patrão tá com um pé no manicômio. Não é possível. O que são aqueles programas do Celso Portioli? Como pode-se produzir algo como o Rei Majestade? O que significa aquela mistura de Cher com Sonia Abrão apresentando um programa sobre sexo no fim da noite? Ontem a entrevistada desse programa era a rainha do carnaval de São Paulo e ela foi questionada pela apresentadora com as seguintes palavras. “Esse tapa-sexo que você usa não fica roçando no seu clitóris enquanto você samba?”. Santo Cristo.
Ainda é segunda-feira. E faz todo sentido a tal da quarta-feira de cinzas. Todo mundo chega só o pó, seja por ter passado 18 horas no congestionamento de volta da praia, ou por ter sido assaltado enquanto beijava 93 ao mesmo tempo na Bahia, por ter ganhado calos e bolhas extras tentando dançar o menos ridículo possível, ou por ter passado cinco dias em casa sem uma alma para te fazer companhia.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

É culpa do remédio

Mas o quêêêê???? Ainda vem gente me receitar mais antidepressivo?!

Mulher mata gato em máquina de lavar após briga com namorado

A mulher que matou o gato de seu namorado ao colocá-lo em uma máquina de lavar roupas depois de uma briga, foi condenada nesta segunda-feira.
Diane Hannon, do norte do País de Gales, estava cuidando do peludo gato branco chamado "Patas" no verão passado (no hemisfério norte), enquanto seu namorado, Duncan Carthy, estava fora.
Ela colocou o gato de seis anos de idade, que era surdo, dentro da máquina de lavar roupa antes de ligá-la. Patas morreu de ataque cardíaco e sofreu de perda de pêlos e queimaduras.
O inspetor Kevin Patin da Real Sociedade Britânica para Prevenção da Crueldade contra os Animais disse em comunicado que "este é o pior ato de crueldade deliberado que eu já vi".
Hannon, que sofre de depressão e toma remédios controlados, disse a uma corte de Welsh que ela e Carthy haviam brigado antes dele ir embora, fazendo com que ela se sentisse magoada e nervosa.
Hannon, que confessou no último dezembro ter causado sofrimento desnecessário ao animal, foi proibida de possuir animais pelo resto da vida.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Visita inusitada

Hoje veio um passarinho aqui em casa. Não sei de onde vinha, mas quando fui até a varanda me deparei com uma cena engraçada. O passarinho em cima da gaiola do outro passarinho que vive conosco há 13 anos (por mim já o teria mandado embora pelos ares há muito tempo), sem ligar para a cachorra, ou para minha tia, que andava pra lá e pra cá. Peguei a gaiola que fica pendurada num gancho e a coloquei sobre a mesa com muito cuidado para não assustar o passarinho. Aí eu pude olhar a cena bem de pertinho. Os dois pareciam conversar algo que ninguém poderia compreender, um do lado de dentro e o outro do lado de fora. Imaginei que os dois tivessem um diálogo assim: - “O que você faz aí dentro?” - “Aqui é meu lugar, oras” - “Mas como você agüenta ficar trancado o dia todo?” - “Não há nada aí fora, sempre estive aqui e não conheço outra forma de passar os dias” - “E o que você está comendo aí?” - “Alpiste” - “E você nunca comeu uma semente de girasol, ou uma minhoca bem suculenta?” - “Não, sou vegetariano” - “E você toma banho nessa banheirinha aí sempre?” - “Claro, não tá vendo?” - “Sim, é que me parece meio pequena, em comparação às fontes e poças d’água que eu costumo visitar” - “É, mas você se molha quando chove, enquanto eu nunca tomei uma chuva...” - “É a forma que limpamos nossas penas” - “Ei, tira o bico daí porque essa é a minha comida” - “Oras, você não costuma dividir sua comida com os que vêm te visitar?” - “Não, porque quando alguém me visita, logo eu mando embora” - “Então eu já vou...” - “Pode ir” Foi quando o passarinho de fora voou até a janela e ficou lá, com a cabeça inquieta, analisando tudo ao seu redor. Daí pensei que ele gostaria de ficar pra jantar e busquei um pouco de alpiste e coloquei sobre a janela. Achei que ele fosse se incomodar e ir embora, mas pelo contrário, parece ter agradecido batendo as asas. E chegou perto do montinho de comida e começou a bicar, espalhando o alpiste por todo o chão. A cachorra ciumenta nessas horas já estava por perto querendo saber o que estava acontecendo. Fiquei espantada com tudo, porque passarinhos são bichinhos arredios e nunca se deixam tocar e nem chegar perto. Mas este, marrom e pequeno, pareceu entender que ali ninguém iria lhe fazer mal (salvo a minha tia que queria prendê-lo na gaiola).Passada cerca de meia hora, com a barriga cheia, voou novamente para o vitrô do banheiro, olhou o que tinha lá dentro e foi embora, nem se despedindo do amigo preso. Cheguei até a pensar que ele poderia se machucar por aí, porque chovia e o tempo estava feio. Mas não tive nem coragem de tentar pegá-lo na mão, pois sabia que dessa maneira ele não ia gostar e que, muito provavelmente, não voltaria nunca mais. Pode ser que um dia volte. E se ele voltar uma hora dessas, é porque gostou do alpiste.

sábado, fevereiro 03, 2007

Diversão non sense

Se você tem vontades inexplicáveis, desejos de ter atitudes anormais, crença que a idiotice é o que dá brilho à vida... faça parte desse grupo. Eu já comecei ontém sem querer, cumprimentando calorosamente um cara que eu não conheço com um afetuoso "amooooooor da minha vidaaaaaaaaaa"... Multidão se reúne para eventos bizarros Uma multidão, que costuma comunicar entre si por email, reuniu-se na semana passada em frente à loja de brinquedos Toys "R" Us, da Times Square, em Nova York, para olhar para um dinossauro gigante que ruge ameaçadoramente para os clientes. Cerca de 300 pessoas pareciam hipnotizadas pelo animal, depois caíram no chão, ao mesmo tempo que gritavam e agitavam os braços. A turista texana Maria Peters disse: "Eles apanharam-me na rua e deram-me instruções. Foi como um grande jogo mental." Enquanto os funcionários chamavam a segurança, o grupo dispersou-se com a mesma rapidez com que se reuniu. Esta aglomeração repentina - que até já tem nome em inglês, flash mob - está se tornando uma moda mundial e aconteceu pela sexta vez em Nova York. O evento é organizado por email. Os destinatários são convidados a chegar a um determinado lugar, numa determinada hora, e recebem instruções sobre como participar em cada situação. Também na semana passada, a primeira flash mob britânica - com cerca de 200 pessoas - fez uma caminhada até uma loja de sofás de Londres. O grupo tinha ordens para fazer chamadas pelo telemóvel elogiando os produtos. O chamado Mob Project começou em Junho, em Nova York, quando um homem chamado Bill mandou um email a alguns amigos. Desde então, o movimento espalhou-se por todo o país e para várias cidades da Europa. No Velho Continente, a primeira vez foi em Roma, no mês passado, quando uma multidão se reuniu numa livraria, enchendo os funcionários de perguntas sobre uma obra que não existia. Outros lugares de Nova York que já foram ocupados são o Central Park, onde a multidão piou como ave, e o Hyatt Hotel, onde houve uma salva de palmas. Os organizadores gostam de ficar anônimos e dizem que a diversão disto é sua natureza absurda e inexplicável. PS: aqui no Brasil já houve algumas tentativas. EM 2004 um grupo se reuniu em São Paulo, na frente de um telão da TV Gazeta, cujos participantes ficaram, durante um minuto, com controles remotos apontados para o telão, como se estivessem zapeando. Depois se levantaram, bateram palmas e foram embora. Outros se reuniram em um semáforo, tiraram seus sapatos e começaram a matar baratas imaginárias pelo chão. E foram embora como se nada tivesse acontecido.