
Sinceridade: quem nunca se descabelou por não saber o que comprar de presente na véspera do natal? Quem nunca falou "puta que pariu, dia dos namorados de novo?".
É por essas e outras que a minha coceira diante das datas comemorativas cresce a cada ano, seja natal, dia das mães, dos pais, dos namorados, da sogra, do amigo, do caralho. E o mais engraçado é que é sempre a mesma coisa. Num dia, enxurradas de publicidade que fazem de tudo para você se sentir um lixo se não comprar tal coisa e no outro dia aquela frasezinha medíocre: "ah, é só uma lembrancinha!". Ai que ódio que eu tenho disso, me dá até gastrite de tanto nervoso.
Aí o casal de namorado sai separado pra comprar os respectivos presentes para o 12 de junho e se trombam no corredor do shopping, que parece o único lugar da cidade pra se comprar presente. Ridículo. Começa maio e o desespero por uma batedeira nova pra mamãe. "Nossa, como estão caras! Você divide em 18 vezes essa mais baratinha aqui?". Em agosto a mesma tragédia. Vão a zero os estoques de cueca, meia e cinto. Ridículo. Tudo pra chegar no dia fatídico com um sorriso besta na cara e dizer "surpresa!" e logo depois ouvir a grande novidade "ah querida, não precisava". Todo ano é o mesmo disco furado, a mesma hipocrisia de quem faz surpresa sem ter um pingo de vontade e gasta dinheiro por obrigação. Tudo para estar dentro dos conformes.
Eu sou a favor do livre-presente. Quer comprar um perfume pra mãe em fevereiro, compra. Quer dar um Imagem e Ação pro namorado em plena sexta-feira santa, dê. Quer viajar pra Europa com a mulher sem ter completado os 20 anos de casado, vai, meu filho, vai com deus. Viu um livro na loja que é a cara da sua melhor amiga? A conta no banco tá positiva? Então pronto! Pra quê esperar o calendário, santo cristo? Além do que presentes sinceros e descompromissados são sempre os mais surpreendentes e os que mais deixam marcas na vida de quem recebe. E é por isso que desejo do fundo do meu âmago que sumam do calendário todas essas datas. Ainda mais depois que em um ano aí minha mãe me obrigou a comprar um presente pra ela no dia das mães. Só de raiva comprei um perfume que eu gostava e dei pra ela. Poxa, eu nem me lembrava que ela tinha alergia de perfume.
Agora é chegada a época do bacalhau com aquele cheiro insuportável abraça a casa inteira e me dá náuseas. Minha tia ainda faz o favor de profetizar "não se come carne na sexta-feira santa menina". Mas eis a parte boa: toneladas de chocolate por todos os lados me chamam para participar de uma orgia gastronômica com altos índices de açúcar, gordura e colesterol. Que deleite, que maravilha o barulho do papel quando se abre ovo, as embalagens coloridas e atraentes num cenário psicodélico que me deixa com uma grande excitação sexual, espiritual e estomacal.
E por falar nisso, tenho alguns da minha preferência e quem quiser me dar de presente de Páscoa, faço um esforço e aceito de bom grado. Assim vou poder refletir melhor sobre a ressurreição de cristo.
É por essas e outras que a minha coceira diante das datas comemorativas cresce a cada ano, seja natal, dia das mães, dos pais, dos namorados, da sogra, do amigo, do caralho. E o mais engraçado é que é sempre a mesma coisa. Num dia, enxurradas de publicidade que fazem de tudo para você se sentir um lixo se não comprar tal coisa e no outro dia aquela frasezinha medíocre: "ah, é só uma lembrancinha!". Ai que ódio que eu tenho disso, me dá até gastrite de tanto nervoso.
Aí o casal de namorado sai separado pra comprar os respectivos presentes para o 12 de junho e se trombam no corredor do shopping, que parece o único lugar da cidade pra se comprar presente. Ridículo. Começa maio e o desespero por uma batedeira nova pra mamãe. "Nossa, como estão caras! Você divide em 18 vezes essa mais baratinha aqui?". Em agosto a mesma tragédia. Vão a zero os estoques de cueca, meia e cinto. Ridículo. Tudo pra chegar no dia fatídico com um sorriso besta na cara e dizer "surpresa!" e logo depois ouvir a grande novidade "ah querida, não precisava". Todo ano é o mesmo disco furado, a mesma hipocrisia de quem faz surpresa sem ter um pingo de vontade e gasta dinheiro por obrigação. Tudo para estar dentro dos conformes.
Eu sou a favor do livre-presente. Quer comprar um perfume pra mãe em fevereiro, compra. Quer dar um Imagem e Ação pro namorado em plena sexta-feira santa, dê. Quer viajar pra Europa com a mulher sem ter completado os 20 anos de casado, vai, meu filho, vai com deus. Viu um livro na loja que é a cara da sua melhor amiga? A conta no banco tá positiva? Então pronto! Pra quê esperar o calendário, santo cristo? Além do que presentes sinceros e descompromissados são sempre os mais surpreendentes e os que mais deixam marcas na vida de quem recebe. E é por isso que desejo do fundo do meu âmago que sumam do calendário todas essas datas. Ainda mais depois que em um ano aí minha mãe me obrigou a comprar um presente pra ela no dia das mães. Só de raiva comprei um perfume que eu gostava e dei pra ela. Poxa, eu nem me lembrava que ela tinha alergia de perfume.
Agora é chegada a época do bacalhau com aquele cheiro insuportável abraça a casa inteira e me dá náuseas. Minha tia ainda faz o favor de profetizar "não se come carne na sexta-feira santa menina". Mas eis a parte boa: toneladas de chocolate por todos os lados me chamam para participar de uma orgia gastronômica com altos índices de açúcar, gordura e colesterol. Que deleite, que maravilha o barulho do papel quando se abre ovo, as embalagens coloridas e atraentes num cenário psicodélico que me deixa com uma grande excitação sexual, espiritual e estomacal.
E por falar nisso, tenho alguns da minha preferência e quem quiser me dar de presente de Páscoa, faço um esforço e aceito de bom grado. Assim vou poder refletir melhor sobre a ressurreição de cristo.

