quarta-feira, março 28, 2007

Disco Furado


Sinceridade: quem nunca se descabelou por não saber o que comprar de presente na véspera do natal? Quem nunca falou "puta que pariu, dia dos namorados de novo?".
É por essas e outras que a minha coceira diante das datas comemorativas cresce a cada ano, seja natal, dia das mães, dos pais, dos namorados, da sogra, do amigo, do caralho. E o mais engraçado é que é sempre a mesma coisa. Num dia, enxurradas de publicidade que fazem de tudo para você se sentir um lixo se não comprar tal coisa e no outro dia aquela frasezinha medíocre: "ah, é só uma lembrancinha!". Ai que ódio que eu tenho disso, me dá até gastrite de tanto nervoso.
Aí o casal de namorado sai separado pra comprar os respectivos presentes para o 12 de junho e se trombam no corredor do shopping, que parece o único lugar da cidade pra se comprar presente. Ridículo. Começa maio e o desespero por uma batedeira nova pra mamãe. "Nossa, como estão caras! Você divide em 18 vezes essa mais baratinha aqui?". Em agosto a mesma tragédia. Vão a zero os estoques de cueca, meia e cinto. Ridículo. Tudo pra chegar no dia fatídico com um sorriso besta na cara e dizer "surpresa!" e logo depois ouvir a grande novidade "ah querida, não precisava". Todo ano é o mesmo disco furado, a mesma hipocrisia de quem faz surpresa sem ter um pingo de vontade e gasta dinheiro por obrigação. Tudo para estar dentro dos conformes.
Eu sou a favor do livre-presente. Quer comprar um perfume pra mãe em fevereiro, compra. Quer dar um Imagem e Ação pro namorado em plena sexta-feira santa, dê. Quer viajar pra Europa com a mulher sem ter completado os 20 anos de casado, vai, meu filho, vai com deus. Viu um livro na loja que é a cara da sua melhor amiga? A conta no banco tá positiva? Então pronto! Pra quê esperar o calendário, santo cristo? Além do que presentes sinceros e descompromissados são sempre os mais surpreendentes e os que mais deixam marcas na vida de quem recebe. E é por isso que desejo do fundo do meu âmago que sumam do calendário todas essas datas. Ainda mais depois que em um ano aí minha mãe me obrigou a comprar um presente pra ela no dia das mães. Só de raiva comprei um perfume que eu gostava e dei pra ela. Poxa, eu nem me lembrava que ela tinha alergia de perfume.
Agora é chegada a época do bacalhau com aquele cheiro insuportável abraça a casa inteira e me dá náuseas. Minha tia ainda faz o favor de profetizar "não se come carne na sexta-feira santa menina". Mas eis a parte boa: toneladas de chocolate por todos os lados me chamam para participar de uma orgia gastronômica com altos índices de açúcar, gordura e colesterol. Que deleite, que maravilha o barulho do papel quando se abre ovo, as embalagens coloridas e atraentes num cenário psicodélico que me deixa com uma grande excitação sexual, espiritual e estomacal.
E por falar nisso, tenho alguns da minha preferência e quem quiser me dar de presente de Páscoa, faço um esforço e aceito de bom grado. Assim vou poder refletir melhor sobre a ressurreição de cristo.

quarta-feira, março 21, 2007

A guitarra da discórdia


O produtor da banda Calypso, Pedro Mota, disse agora há pouco ao Blog que não gostaria de polemizar com Ariano Suassuna, mas defendeu o dono da banda, o empresário Chimbinha. Em uma aula-espetáculo na sexta-feira, o secretário de Cultura, Ariano Suassuna, disse que a pessoa que fez a música, sucesso da banda, era um idiota e um imbecil.
“Enquanto ele falava de Coca-Cola, tudo bem. A gente admite. Ele é nacionalista e é uma coisa americana. Agora a banda é um produto tipicamente nordestino, que ganhou o Brasil, faz sucesso nacional. Ele deveria era se orgulhar da gente. Se a gente ainda cantasse em inglês... (caberia a crítica, como as críticas que o escritor já fez ao cantor Michael Jackson)”.
“Ficamos surpresos com essas colocações. Achamos estranho que sejamos tratados desta forma. No meu caso, mais ainda, uma vez que meu pai é pernambucano e minha mãe é paraibana. Fui criado na Paraíba e lá me ensinaram que a gente devia respeitar todo mundo”, afirmou, numa referência indireta à terra natal do escritor, nascido em Taperoá, na Paraíba.
Na conversa com o Blog, o produtor revelou algum receio com o patrulhamento ideológico da intelectualidade local.
“O melhor era deixar o Ariano quieto. As celebridades deste Estado vão dizer que ele está certo. Vai aparecer um monte de intelectual dizendo que ele está certo. Então, é uma briga desnecessária. Ele não sabe mais do que todo mundo?”, questionou, como que reclamando alguma falta de humildade.
“Além disto, é uma pessoa idosa. Merece todo o nosso respeito”, afirmou. (essa foi a melhor parte, puta merda!!!!!!!!)
O produtor também usa a vendagem de discos para ironizar o autor de livros.
“Somando toda nossa discografia, já vendemos mais de 8 milhões de CDs. O último CD vendeu mais de 1,170 milhão de cópias. A gente tá tão preocupado”.
No final da conversa, o produtor aproveitou para esclarecer que o escritor está mal informado. “A música não é da banda. Ela foi composta pelo músico paraense Edilson Moreno”.

o suassuna nunca foi lá o grande exemplo de humildade mundial né, mas vá lá... independente do little chimba ser legal ou não, ocupando um cargo público, deveria evitar mais a fadiga. Não é mesmo? Mas ele é uma pessoa idosa, merece respeito.

domingo, março 11, 2007


Acho que há um déficit de criatividade na minha cabeça. As coisas rodam e me fazem ter a certeza de que vão parar em breve no seus devidos lugares. Me sinto como o pião da casa própria, aquele do Silvio que tinha uma música assustadora...
Uma sensação boa, de movimento, de coisas acontecendo finalmente, todas de uma vez, o que me fez acordar hoje às 4h00 e não dormir mais. E fazia tanto tempo que eu não via a madrugada, que quando acordei fiz questão de abrir a janela e olhar pra ela, respirar e sentir que é o período mais agradável do dia. Fiquei por la e percebi que o silêncio das 4 da madrugada é capaz de dizer coisas que nenhum discurso consegue dizer. Ele fala direto com o coração, o que faz com que as coisas sejam melhor compreendidas. E eu entendi direitinho a lição.