domingo, julho 29, 2007

Top 5

Num dia friorento como esse e às vésperas de mais uma sessão de canal no dente, o ideal é ficar bem quietinha no conforto de meus aposentos. Para passar o tempo e aprender mais sobre a vida, resolvi fazer a minha tão esperada lista de preciosidades dessa terra de ninguém que é a internet. Tudo ao som da melhor música cubana para esquentar os ossos reumáticos. Respira fundo porque o que vem a seguir é muito, muito grave e pode provocar reações como diarréia, náuseas, crises de labirintite ou enxaqueca. O top 5 de hoje é........ #1. Ah! L'amour! Esse site aqui é de um casal apaixonado conhecido no meio por "Fran e Ale". Reparem no bom gosto dos gifs, das cores, das fontes.... realmente, o amor é bem cego. Os pombinhos fizeram uma seleção de versos, poesias e tudo o que representa o que eles sentem. O objetivo do site é tocar o coração de todos os que passarem por ali. E funcionou. Em mim não só acertou o coração como o intestino também. PS: esse eu descobri colocando meu nome no google. Todo mundo já fez isso, oras. http://www.geocities.com/Paris/Arc/7888/ #2. Cristo Virtual Este é um site criado pela Celia, que já é bisavó e confessa que adora computador. Seu hobby é criar gifs para Jesus. Muito bom gosto, todos bastante expressivos, cheios de mensagens patético-cristãs. Se vc também acredita que a internet pertence a Jesus aqui é o seu lugar. http://gifsprajesus.weblogger.terra.com.br/ #3. Gordura trans Esse é o blog de uma ex-obesa que adora coisas "foxufas" para dividir com suas "miguxas". A linguagem usada é de uma adolescente de 13 anos, mas a senhora, pasmem, tem 60. Se vc não está feliz com a silhueta, conheça a Cleusa e divida suas neuras. http://www.cleuzareis.weblogger.terra.com.br/index.htm #4. Não indicado para epiléticos Coisas piscam, rodam, mudam de cor e andam pela tela sem dar trégua. Bombardeio de mensagens como "o combustível da vida é o amor" flutuam na atmosfera cor-de-rosa do cérebro de uma mulher de 30 anos que se separou do marido e sofreu um retrocesso mental. http://ilanasoares.blog.uol.com.br/ #5. Segurando a periquita em nome de Jesus Não tem jeito. Os sites evangélicos são os melhores. Entre neste aqui se sua consciência tá pesando porque você não consegue evitar uma jirombada antes do casamento. Tem uma seção de dicas para não cair na tentação da carne, IMPERDIVEL. Um trecho para conhecermos o que é um namoro santo: "Namoro onde rola sexo, masturbação, carícias, excitação e falta de domínio próprio, certamente, não é da vontade de Deus". Amém. http://www.conselhosdoceu.com/tenta.html mais sites bizarros em breve.

sábado, julho 28, 2007

Mira! Mira los lunaticos!


Quando ouvi os hermanos do Gotan Project pela primeira vez, a sensação era de que eu estava dentro de um elevador. Uns beats meio mortos, sem muita voz, e as músicas todas andavam em loopings.... uma encheção.
Dai, depois de um tempo, chegou um pacote do correio pra mim, da assessoria de imprensa dos caras. Era o segundo cd deles, Lunatico.
O nome do cd já me fez abrir um sorrisão, mas o medo de ouvir as mesmas coisas do primeiro trabalho dos caras me fez guardar o presente pra ouvir mais tarde.
Na capa, cavalos em homenagem ao passatempo preferido de Gardel: ver corridas de cavalos. Hum... interessante.
Botei no som. Na primeira ouvida me deu um pouco de sono, mas depois consegui identificar coisas muito interessantes, além de que o tango se fazia mais presente, junto com uma batida mais acelerada, mais contagiante. É bandoneon pra todo lado, dubs, pianos irritados, vozes femininas nervosas e uma orquestra inteirinha pra dar aquela cara de chiqueza na coisa! Muitíssimo bem produzido en la terra de los hermanitos, além do que os caras fazem questão de preservar as raízes argentinas com o tango tradicional, sem, é clar, deixar de lado coisas mais contemporâneas como o hip hop, o eletrônico, o pop...
Eles estiveram no Brasil mês passado e todo mundo que foi disse que adorou as performances.
De fato... música de elevador acho que eles não vão fazer nunca mais!

não dá vontade de pegar um deles e sair dançando tango???? Depois disso, é só alugar "Perfume de Mulher" e sonhar com o Al Pacino. Rá.

segunda-feira, julho 23, 2007

Atitude é tudo.

O mais bacana nas pessoas é o espírito de vanguarda, não é mesmo? Mulher é detida por beijar pintura com batom Uma mulher foi detida na França acusada de beijar uma pintura do artista americano Cy Twombly. Ela teria manchado a tela branca com seu batom, informaram autoridades judiciais francesas. A polícia disse que deteve a mulher depois que ela beijou o trabalho na última quinta-feira. A acusada será submetida a julgamento na cidade de Avignon, em 16 de agosto, por danificar obra de arte. A pintura, avaliada em US$ 2 milhões, estava exposta no Museu Contemporâneo de Arte, em Avignon. A exibição deve ficar no local até 30 de setembro. As autoridades não forneceram informações sobre a obra que teria sido vítima do beijo. O pintor Cy Twombly é conhecido por suas pintura abstratas combinando técnicas de pintura e desenho, com linhas, letras e palavras. Nascido em Lexington, Vancouver, em 1928, el viveu por cerca de 50 anos na Itália.

domingo, julho 22, 2007

Sem título.

Quando se perde alguém a pior parte não é o fato em si, nem o quanto se chora nessas horas, nem as lembranças. É quando você volta pra casa e é obrigado a encarar certas coisas até então inofensivas. É como se todos os objetos te olhassem de forma diferente e, por conseqüência, adotassem significados até então desconhecidos. É engraçado porque tudo está lá já há bastante tempo, mas de repente se tornaram estranhas e provocativas. O som no seu quarto já não tem mais relação nenhuma com as músicas que te faziam lembrar certos momentos, pessoas ou situações. Agora ele é só resto de coisas antigas e parece que faz questão de te dar alguns apertos na garganta com músicas que deveriam sumir dos cds. O telefone passa a ser mera decoração, já que qualquer um que esteja do outro lado da linha não vai ser atendido com empolgação nenhuma por você. Esse aí ri da sua cara quando você atende o vendedor de cartão de crédito, a cobrança da loja, o cara que ligou por engano no meio da noite. O guarda-roupa te olha torto, com um certo descaso como se dissesse “não adianta escolher muito a roupa porque ninguém vai reparar”. Funciona como se você fosse outra pessoa e como se nada na sua casa te pertencesse mais. Tornaram-se todos seus inimigos velados de eletroeletrônicos, móveis ou qualquer outra coisa. Tudo é digno de um bom conto do Stephen King, onde as coisas são más e ameaçam a sua integridade psicológica. Sua vida fica suspensa e isso pode durar alguns dias, talvez meses e anos, quando lentamente você começa a reconhecer as coisas como suas novamente, ao mesmo tempo em que elas param de te sacanear. É aí que essas coisas todas param de rir da sua incapacidade de vê-los como simples objetos sem más ou boas intenções.

sexta-feira, julho 13, 2007

Little miss sunshine

Uma vez, levei meu irmão à festa de uma amiga dele que fazia aniversário. Ela veio recebê-lo na porta com um grande decote que, junto à minúscula saia justa e uma plataforma salto 15 formava um look bastante ousado. O sedutor pacote também reunia unhas vermelhas, luzes no cabelo, um perfume de tombar qualquer um e um grito estridente: “Fêêêêê!!!!”. Nada de mais, se a aniversariante não estivesse comemorando seus 12 anos.
Coisas desse tipo me deixam puta. O que é isso minha gente? As garotinhas de hoje estão parecendo mini-putas de beira de estrada ou é impressão minha? Vejo no shopping essas menininhas rebolando com seus saltos-agulha com a fralda ainda cheia de cocô, conversando com a mãe sobre o novo sutiã que realça os peitos.
A única coisa que tenho vontade de fazer nessas horas e dar na cara da mãe, que geralmente é uma mulher que quer continuar sua eterna juventude na filha. Eu tenho medo e ódio disso.
Criança não é mais criança, mãe não é mais mãe e pai não é mais pai. Acho que o pai nessa ocasião tem que bater nas duas.
E aí a culpa é de quem? Da Fani no Big Brother, da Beyoncée que rebola involuntariamente como se fossem espasmos musculares, da pedagogia ultrapassada, da vida ocupada dos pais?
Porra, era tão bom ser criança! Eu podia ir nas festas sem ter que usas salto alto. Podia chorar que logo vinha alguém ver o que tava acontecendo... não sabia o valor que o dinheiro tinha e muito menos me preocupava com a celulite nas coxas. E essas biscatinhas querem pular tudo isso???? À merda, junto com a piranha das suas mães.

Desfile da Lilica Ripilica no Fashion Rio 2007. Você deixaria sua filha de 7 anos sair de casa desse jeito?

segunda-feira, julho 09, 2007

Vote no Ciço

Tá, colocaram o Cristo lá no meio das 7 Maravilhas do Mundo Moderno. Mas vamo lá né, essa escultura de pedra sabão por acaso se equipara a Macchu Picchu, Taj Mahal ou a qualquer outro concorrente que, por imponência e história passaram a fazer parte, justamente, da cobiçada lista???
Agora a Suplicy pode ficar feliz e gozar de fato, o governador do Rio então, nem se fala. Muitos turistas desembarcarão por aqui, vivenciarão a experiência de aglomerar-se com outros seres humanos por horas no aeroporto - com direito a deliciosas barrinhas de cereal -, e de quebra ganharão o bonus de ser despelados pelos famosos pivetes-quase-traficantes da Cidade Maravilhosa!! Tudo para ver a incrível escultura de pedra sabão que, atenção, já foi beijada loucamente pelo Didi Mocó. Não é lindo? Hein? Hein?????

A minha proposta para a maravilha brasileira é esta:

Muito mais estaile! Fora que o modelito usado por ele é muito melhor do que aquela bata fora de moda do Cristo. Batina, chapéu e bengala é a última tendência em Paris. Pra poucos.

Viva Padim Ciço!

sábado, julho 07, 2007

O casamento do meu (nem tanto) amigo

Dia desses um amigo meu se casou. Amigo assim, trabalhamos juntos e só. Daí ele me mostrou as fotos do casamento com a frase típica e sem graça de quem se casa: “quem disse que eu não viraria um homem sério?”.
Olhei aquilo tudo, aquele smooking que nada tem a ver com o jeito todo esportivo e descontraído dele, as mães dos noivos com os cabelos altos e com as costas suadas. A noiva esbanjando felicidade, rindo com aquele queixo protuberante, feliz porque finalmente a enrolação tinha chegado ao fim e ela não iria chegar aos 14 anos de namoro, mas sim ao primeiro ano de casamento, se tudo der certo.
Cheguei à conclusão que isso, definitivamente, não significa felicidade, não pelo menos esse teatro. Mesmo porque conheço certas passagens da vida do moço que me fazem acreditar que ele não resistiu às pressões sociais. Tenho certeza de que hoje, um mês depois do casamento, ele bota a cabeça no travesseiro e pede pra Deus dar-lhe paciência, enquanto pensa nas mulheres que ele, agora, vai ter um pouco mais de dificuldade pra comer.
Mas, o que mais me impressiona é a mudança facial das pessoas que se casam com base na equação preciso-tomar-jeito-na-vida + gasto-muito-dinheiro + sogro-pára-de-encher-o-saco. Até comentei com um outro amigo que quando um homem se casa, automaticamente ele ganha cara de tio. E a mulher, de dona-de-casa. Pode ser implicância minha, traumas de infância, mas é verdade, pode reparar.
Enfim, a única coisa que eu consegui lembrar enquanto via aquelas fotos era o dia em que a moça de branco nas fotos apareceu de surpresa lá no lugar onde eu e o então namorado dela trabalhávamos e disse a ele cruzando os braços e batendo a ponta do scarpin no chão: “você não vai me apresentar a sua amiguinha?”. É. Ela imaginou coisas que não existiam – pelo menos da parte que me cabia - e sobrou pra mim, a cagada de sempre. Depois disso, eu o ouvia falando da namorada com o mesmo carinho que tem por um deputado federal.
E o álbum de casamento do cara que “virou um homem sério” (rá, que engraçado), tinham tantas novidades quanto um museu: fotos do buquê da noiva congelado no espaço enquanto primas barangas se estapeiam para agarrá-lo, o abraço do sogro, tão sincero quanto um depoimento do Paulo Maluf, o brinde na frente de uma fonte iluminada, essas coisas super interessantes.Vamos lá, a vida é do cara, ele se mostra feliz e eu não tenho direito nenhum de falar do que alguém faz ou deixa de fazer. Mas convenhamos, se as coisas realmente mudam assim, então tudo pode acontecer, até eu resolver casar de véu, grinalda e um sorriso idiota na cara.

*Seleção especial de bolos-de-casamento-sem-senso-de-ridículo.
*Texto ridículo produzido ao som de Johnny Mathis e Billy Paul.

quinta-feira, julho 05, 2007

Ídola?

O Ídolos Brasil é uma bosta? É.
A produção é ridícula? É.
Os finalistas são vergonhosos? São.
Os jurados entendem alguma coisa de música? Não.
Enfim, uma série de coisas me faz acreditar que o Ídolos é uma das piores coisas que resolveram fazer nos últimos tempos. E é óbvio, só poderia ser uma adaptação mal feita pela emissora geriátrica do capenga Abravanel.
O lance é que me surpreendi com uma moça que foi lá, enfrentou aquelas filas horrendas pra se inscrever e acabou chegando à final. A Shirley, minha gente, é a única pessoa que vale a pena ali dentro, principalmente quando me lembro dela em outras ocasiões.


Com o microfone de ouro
Pra quem não sabe, ela já foi caloura do Raul Gil e, podem falar qualquer coisa, mas lá é onde vai o povo que REALMENTE sabe cantar e que canta com vontade. O patrão de lá pode andar com mil correntes de ouro penduradas, anel de brilhante até no dedo do pé e aquele microfone de ouro pra lá de kitch, mas o cara tem a manha. E lá no programa dele passa gente que dá um pau em qualquer mané que esteja vendendo milhões de discos. A Shirley é uma dessas pessoas e eu assisti à primeira vez em que ela cantou no Rau Gil, há uns três anos. Feia pra burro, magrelinha, cara de vendedora de churrasquinho na porta de estádio de futebol, ela pegou o microfone, sentou num banco alto e começou a cantar. Essa foi a interpretação mais emocionante que eu já ouvi de Feelings, e eu juro, eu até chorei porque nunca tinha escutado uma voz como a dela.
Ela acabou ficando na final com o Rick Vallen, um Ney Matogrosso paraguaio que ta aí em segundo lugar em vendas de discos com um repertório péssimo, uma voz que não casa com o que canta e com um figurino de dar medo. Shirley ta tentando ainda ser alguém na vida, agora, por outro caminho.
É óbvio que eu não vou gastar telefone pra votar pra ela ficar na final do Ídolos e é claro que ela ta se metendo numa baita roubada. Mas sinceramente, eu espero que alguém olhe essa moça e se lembre do que ela foi capaz de fazer lá no Raul Gil, porque, é incrível, o SBT é capaz de destruir qualquer coisa, sejam talentos ou carreiras.

domingo, julho 01, 2007

O que um pesqueiro pode fazer por você

Nada melhor do que um domingo pra deixar a vida ainda mais bosteada, certo? Errado.
Almoçar com sua linda família em um pesqueiro em Jardinópolis e assistir a um show inesquecível de aberrações é o que há para conhecer o verdadeiro sabor da diversão para a maioria dos cidadãos brasileiros.
As 300 mesas cheias que entupiam o recinto de gordas de calças baixas e blusas curtas de lycra, gordos de chapéu de caubói com a pança avantajadésima e crianças correndo por todo lado não eram exatamente a pior coisa do mundo. Havia ali uma banda sertaneja. E garçons suados. (nossa eu não consigo imaginar coisa pior do que garçons suados esbaforidos).
Além de grandes nomes da música sendo executados bem ali na minha frente, havia também um ser que surgiu do fundo do salão. Jogando os cabelos cacheados para trás e para frente, num movimento voluptuoso, um grande artista de camisa vermelha subiu ao palco depois de ser anunciado pela banda: “Queremos chamar agora nosso amigo Zum”. Era o irmão gêmeo do José Rico (o amigo do Milionário).
Eu, no meu lugar, coloquei as pernas sob uma outra cadeira, a mão na boca, o óculos na cara e tentava acreditar no que eu estava vendo. Era simplesmente uma das coisas mais fantásticas que já tinham passado pela minha vida e, por alguns instantes, deixei os gordos comerem suas pururucas em paz e os garçons suarem à vontade.
Minha mãe se dobrava de rir, meu pai cantava todas as músicas e tirava o boné da cabeça toda hora pra coçar a careca. Eu estava extasiada e pensava “ninguém vai acreditar nisso”.
O bailão havia começado de fato. Zum levantou a galera do chapéu e promoveu a histeria generalizada com sua voz grossa e extravagante, assim como o seu figurino. Ele cantava e punha a mão na orelha sob as costeletas felpudas, igual ao original. Soltou o gogó em Boate Azul, emocionou o público com Estrada da Vida e conquistou meu coração.
Eu, é claro, não poderia deixar de registrar esse momento tão... tão... tão... excitante
da minha tarde de domingo. Essa eu não podia deixar escapar mesmo.

* O menos estranho é o senhor meu pai