Atire a primeira pedra quem nunca assistiu por inteiro um programa desses tipo namoro na TV, torcendo pela formação de lindos casais, mesmo se roendo de tanta vergonha alheia. Pois é, eles pra mim são a maior boçalidade que pode exisitir quando o assunto é relacionamento.
Mas, lembrando de programas como esses, me recordei também de uma pergunta que se fazia a todos os candidatos, a mesma pergunta que talvez alguns analistas de RH fantasiados de psicólogos fazem durante as suas entrevistas de trabalho: Qual é o seu maior defeito?
E o mais engraçado é que TODAS as pessoas insistem em chamar de defeito suas características mais insosas e, para essa pergunta tão ameaçadora, pronta para destruir toda a sua reputação, já existem as respostas prontas, enlatadas em qualquer prateleira da nossa própria falta de vergonha na cara:
a) "Ah, eu sou muito ansioso"
b) "Eu sou muito ingênuo, acredito em qualquer coisa"
c) "Sou muito tímido e isso me atrapalha"
d) "Ah, eu sou mal humorado quando acordo"
Por favor, se vocês souberem de algum bofe que tenha essas terríveis e monstruosas obscuridades no seu lado B, me apresente.
Oras, então ninguém sabe o que significa "defeito"! Talvez eu consiga resumir tudo em uma frase bem simples: defeito é aquilo que você, em hipótese alguma, confessa.
Imagina você, que usou pela primeira vez o seu Victoria´s Secrets recém-comprado-para-ocasiões-especiais, acabou de conhecer aquele cara garboso, cheio de estilo e que parece ter mais do que 15 centímetros entre as pernas, e ele te pergunta qual é o seu maior defeito.
Entre as opções abaixo, qual você teria coragem em dizer?
a) "nossa, eu minto o tempo todo e nem me dou conta mais"
b) "eu escolho os homens pela conta bancária sim!",
c) "eu sou bem hipócrita, nunca ajo de acordo com o que eu digo aos outros",
d) "copio tudo dos outros, sou absolutamente sem personalidade"
Não. Mesmo que todo mundo tenha pelo menos duas ou mais dessas péssimas características, nunca nem jamais alguém confessou os seus verdadeiros defeitos.
Uma vez li a coluna da Soninha na Vida Simples e ela falou sobre que era uma invejosa de mão cheia. Que invejava as amigas pelos bens que elas tinham e que ela não podia ter, pelo marido das outras que ela não tinha, enfim, por um monte de coisas. Gostei. Achei digno.
E é engraçado como nós ficamos pasmos quando nos deparamos com o lado escuro do nosso planeta chamado personalidade. Nós não assumimos isso nem com farpas de madeira sob as unhas.
Defeitos não existem para ser assumidos, definitivamente, só nos mostram o tempo todo que nada é exatamente o que parecer ser. São como se fossem uma força maior, desconhecida, que fazem as pessoas se destruírem e se odiarem, ou, resumindo a ópera, simplesmente são como o mau hálito, ele estraga o ar dos outros, mas você mesmo já nem percebe.
Acho que preciso escovar os dentes mais vezes por dia.

"acredite em mim!"