sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Pausa para o suco de laranja...

Queridos, mais uma vez, paciência.
Acabei de me mudar para uma casa que não tem internet. Espero que eu sobreviva durante esses próximos dois meses. Estou agora numa lanhouse que tem a pachorra de cobrar 2 dolares por 20 minutos de internet. Que beleza.

Por outro lado, vou continuar colocando aqui minhas impressões sobre assuntos sentimentalescos, orgânicos e alheios. Essa é minha sina, meu destino mesmo. E as evidências estão por toda parte. Inclusive nos mínimos detalhes:



Então, até daqui a pouquinho! Bjos!
PS: rezem ai pra acharem o meu carro. Roubaram o meu ford 89!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eh o cumulooooo!!!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Jamie, eu e você

Jamie é a única pessoa que ainda traz pra mim cheiro da sua camiseta nova e o gosto do seu hamburguer de peito de peru na madrugada. Também aquele cheiro dos quartos sujos que achávamos que eram limpos junto com o som da sua risada que me deliciava de cinco em cinco minutos.
Jamie me faz sentir em ondas alguns sentimentos que eu achava que já não existiam mais, mas que em um segundo se tornam tão frescos que chego a pensar que eles ainda têm motivo para exisitirem.
Jamie me traz de volta o seu sorvete de nata com gosto de nada, as vezes as noites de intermináveis conversas no telefone e também os domingos chatos de uma época em que não nos permitíamos ser um do outro. Esqueci, você nunca se permitiu ser meu.
Era mentira tudo isso, mas me parece ainda tão real e tão sincero.
Meu deus, como esse disco me machuca e me ilumina ao mesmo tempo! Como você está vivo dentro dessas harmonias e na voz do Jammie! É como se você tivesse feito todas essas músicas pra mim para o Jammie cantar e como se todos os nossos dias chuvosos e enrolarados estivessem nesses acorde complexos.
Esse cd é a única coisa que me faz assumir pra mim mesma que eu te amo acima de mim e de você. E que eu te perdoaria se você soubesse um dia o que é pedir perdão.
Quando ele canta Singing in the Rain, Jamie me encosta na parede e me faz confessar a cada palavra das suas que o que sinto por você é verdadeiro, mesmo que você seja uma mentira e me pede para esquecer, que um dia vai realmente ficar tudo bem entre nós.
Jamie tem em fotografias irreais toda a nossa hstória, em quadros estáticos que se movem quando vistos com rapidez. Ele tem guardado o gosto do seu beijo em um vidrinho com um rótulo escrito: "realmente, o melhor do mundo".
Jamie sabe que a minha pele na sua se incendiava e que meus olhos procuraram por você desde quando eu nasci.
Jamie sabe da nossa vida. Ele tem gravadas as nossas conversas insanas, nossas idiotices, suas caretas e seus arrotos que me faziam rolar no chão de tanto rir.
Quando toca Everlasting Love, Jamie me provoca à alma. Sabe que esse maldito piano no começo me mata de saudade do seu ombro e que cada frase dessa música tem você apertando a minha mão enquanto deitava sobre mim. Ele faz questão de me mostrar meus próprios sentimentos, através de tudo o que compunha nós dois. Quando ele começa o refrão, vem tudo de uma vez só, como uma corrente de ar quente que se vai assim que a música acaba. Ela me traz você de volta, vivo... here i stand with my everlasting love.
Foi por causa de você que eu conheci o Jammie e por causa de Jamie eu te amei tanto. Porque fomos privilegiados de ter Jamie entre nós, porque a música dele me fazia te querer a cada instante, assim como eu queria agora.
Como eu queria. Se você quisesse.
E Jamie poderia tocar pra gente a noite toda.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Indicações da semana


Quem: Medeski, Martin & Wood
Disco: Let´s go everywhere - 2008
Má-o-meno isso: Prepare-se para se divertir. Esse é um disco de jazz feito para crianças, som do mais alto garbo e qualidade sonora para os pequenininhos começarem a gostar de música boa desde já. O trio de piano + baixo + bateria é de Nova Iorque é um grande respiro no cenário do jazz, resgatando o espírito do improviso mais sentimental e menos mecânico com uma incrível sonoridade criativa e dinâmica, além, claro, de uma produção impecável.
Let´s Go Everywhere é uma homenagem à infância e contou com a participação dos filhos dos caras cantando, tocando panela, chocalho e mais uma parafernalha de dar inveja a qualquer Hermeto Paschoal.
É claro que os marmanjos também vão delirar com esse cd, pois ele é algo maravilhosamente musical, funkeado, divertido e muito original. Tem groove até dizer chega, harmonias deliciosas, melodias que dão vontade de cantar o dia todo e até pandeiro e bossa nova! Não consigo parar de ouvir "On The Airplane"!
O único problema pra mim foi que esse disco me deu vontade de ter um filho.
Receita: Hermeto Paschoal + Jaco Pastorius + Sorvete de chocolate + Cheiro de xampu Johnson
Indico para:
- quem tem crianças em casa e já percebeu que o boi da cara preta não convence mais
- Quem ainda fica parecendo o bozo quando acaba de tomar sorvete
- Quem quer morrer quando escuta "po! jazz é coisa de velho!"
- Quem acredita que as aulas de iniciação musical infantil é uma grande estupidez e que todas as professoras deveriam ser queimadas como na Inquisição
- Pessoas que se identificam com o Peter Pan
- Quem acha que as 68 edições do Xuxa Para Baixinhos deveriam ser recolhidas e queimadas pelo Capitão Nascimento depois de, claro, ter colocado a Xuxa no saco.

BAIXA AÍ!

sábado, fevereiro 23, 2008

Muito prazer, eu te amo

Eu não bebi hoje. E por isso acho que vi coisas mais estranhas do que o de costume pelas ruas de Tauranga City e sua vida noturna. E veja, não to falando do cara de 200 quilos usando um terno verde limão na balada e um chapéu de zebra, nem do rapaz que ficou o tempo todo debruçado no balcão com seu óculos de snowboard, nem da cantada que eu levei de uma senhora de 40 anos, muito menos do menino que parou na minha frente e começou a imitar um macaco no meio da pista de dança... essa noite aconteceu algo muito inusitado, muito mais que tudo isso. Estava eu a olhar toda essa torre de babel do inferno quando meus olhos cruzaram com outros que eu nunca havia visto. Plim. Senti uma coisa estranha. Não deu pra evitar, eu não consegui me mexer mais e muito menos desviar os meus olhos meio estrábicos para outro lado. Na minha cabeça começou então a tocar I can´t take my eeeeeeeeeeeys of you (fiz questão de esquecer a versão brasileira Ana Carolina e do Seu Jorge, me dá até coceira) e, no mesmo instante, passaram cenas de Closer no projetor dos meus neurônios. Saíram faíscas dos meus olhos e um sorriso imbecil nasceu na minha cara. Essa foi a única hora em que ele me olhou, e aqueles olhos fizeram meu relógio parar, eu comecei a transpirar e eu me senti sem roupa diante dele de tanta vergonha. Eu tive vontade de dizer eu te amo pra alguém que eu nem conheço. O homem mais perfeito que eu já vi estava ali, bem debaixo do meu nariz, com olhos de bolinha de gude verde, de camisa social preta, bermuda jeans e havaianas pretas. Cabelo escuro e curto, mas com um moicano discreto que descia pela nuca tão suave quanto as linhas que se formavam no canto da sua boca quando ele sorria. O sorriso... ah... eu não conseguia enxergar um defeito sequer naquela fisionomia e tão pouco parar de encarar aquele poço de delícia. Foi isso o que eu fiz durante todo o tempo em que ficamos lá naquele pub. Percorri o rastro dele por trás da janela, de trás do balcão, por cima dos ombros das pessoas... eu queria ele sob a minha vista, invariavelmente, para que não desaparecesse, para que eu soubesse que não se tratava de uma alucinação. O que mais me chamou a atenção e que me deu vontade de sei lá, mandar um bilhete, algo bem brega mesmo, foi o fato de que ele estava pouco se fudendo pra mim. Eu não sabia de onde ele tinha vindo, nem que lingua falava, nem que tipo de música ele gostava mais... só sei que o desprezo dele pela minha paixão platônica e incendiada formava nele uma aura mágica, como se ele tivesse acima de qualquer outro mané que já tenha passado pela minha vida. Ele conversava com os amigos, com algumas garotas, mas se mantinha distante, com o olhar reto e sempre um sorriso no canto da boca. Ia lá para fora, acendia um cigarro (nessa hora eu acharia lindo ele até cheirando cola de sapateiro), e conversava mais e mais e mais, mas nunca comigo. Como eu não estava bêbada, não sabia o que fazer. Ele estava tão perfeito que acho que se ele viesse falar comigo não seria mais tão perfeito assim. Foi melhor. E eu ir conversar com ele... a minha timidez nunca permitiria uma audácia tão grande. Preferi só ficar olhando. Agora eu percebi que a beleza toda dele estava exatamente ali, em ele existir por si só, independente, perfeito, inatingível, santificado, glorificado, de moicano e havaianas, sem sequer notar o que eu dizia toda hora com a tecla sap ligada no coração... brega. Como prêmio de consoloção, comprei um chocolate quente no posto e dois cookies que não conseguiram me deixar feliz. Não dessa vez.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Partiu meu coração...

Saiu hoje na internet uma foto que eu achei extremamente sensível e impressionante... acharam um bebê lêmure em Paris e eis uma das expressões que poderiam superar a unanimidade da capa da National Geographic com a menina afegã de olhos verdes:

Com vcs.... o filho do Rei Julien...

Eu só consigo pensar em uma coisa olhando essa foto:
"Eu me remexo muito! Eu me remexo muito!"

Só uma coisa: Na versão original de Madagascar, quem faz a voz do Rei Julien é nada mais nada menos que... Sascha Baron Coen, o Borat. Gênio! Viva o Rei Julien!!!!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

100% MST

Queria pedir um pouquinho de paciência aos fiéis, pusilânimes e lindos leitores desse blog pela falta de constância nos posts. Acontece pucadiquê estou gastando tempo e energia procurando uma casa nova pra morar. A tia aqui chutou a minha bunda e tenho um mês para achar um teto novo, se não quiser ficar na rua da amargura.
Curiosamente o namorado também não tem casa. Ele está há dois dias (e sabe-se lá por mais quantos) morando dentro da kombi dele. Essa vida é mesmo uma caixa de surpresa.


Será que estou prevendo o meu futuro?

sábado, fevereiro 16, 2008

Indicações da semana

Vou inaugurar aqui no blog uma seção que pretendo alimentar toda semana. Serão duas indicações de álbuns por vez com o link para o download, alguns dos que eu ando ouvindo e acho que outras pessoas também gostariam de ouvir... então, os primeirinhos da fila são esses aqui:







Quem: Architecture in Helsinki
Disco: In Case We Die (2005)
Má-o-meno isso: Uma banda australiana de indie-rock-pop formada por 5 retardados que fazem um som descompromissado, surtado, engraçado e musicalmente rico ao mesmo tempo. O mais legal é que, entre os tradicionais instrumentos que compõem qualquer banda, os manos enfiaram clarineta, trombone, tuba e mais um monte de coisas que tem em fanfarra.
Receita: I´m from Barcelona + Mika + Cansei de Ser Sexy + aula de inicialização musical para crianças
Indico para:
- Pessoas que têm o hábito de falar sozinhas pelos cantos da casa
- Quem costuma se interessar por outras pessoas estranhas
- Quem assistia a fanfarra passando na rua quando era pequeno
- Quem tem o tique nervoso de fazer barulhos estranhos com a boca
- Quem limpa a casa fazendo passos horríveis de dança
- Pessoas que já tomaram ou tomam fluoxetina ou coisa pareceida

BAIXA AÍ!








Quem: Illya Kuriaki and The Valderramas
Disco: Chaco (1995)
Má-o-meno isso: É uma dupla argentina que fez muito sucesso nos anos 90, mas que agora já não existe mais. Têm um groove muito bom, misturado com rap, gritaria, letras sem sentido e críticas sociais e pessoais. Tipo, eles não cantam bem, são feios, magrelos, mas o som é contagioso, principalmente Abarajame en la Bañera - um clássico que eu não tem nada a ver com nada e que eu não consigo parar de ouvir. Sugiro que vejam os clipes no iutube. Eles têm também um acústico MTV muito bom!
Receita: Jamiroquai + Gabriel, o Pensador + Letras e roupas non sense + Camiseta do Che Guevara
Indico para:
- Pessoas que se excitam com sotaque castellano
- Quem fuma muita maconha e procura uma trilha sonora adequada
- Quem sabe que Buenos Aires não é a capital do Brasil
- Pessoas que estão estudando espanhol e querem aprender palavrões
- Pessoas que andam de ônibus
- Quem não suporta as costeletas do Carlos Menen

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Primeira vez

Eu sei o que você quer.
Gosta de andar pela praia fingindo que está adorando a minha companhia. Mas sei que na verdade te interessa mesmo é me encoxar, babar no meu travesseiro, comer o meu almoço e gastar a minha gasolina. Não necessariamente nessa mesma ordem.
No Valentine´s Day eu ganhei chocolate de presente, mas você não se liga que EU gosto de chocolate, porque você sabe que TODAS as mulheres gostam e isso, meu caro, é a morte para uma leonina.
Mas sabe que já nem ligo mais? Estou até preferindo essas suas verdades mentirosas, aquelas que você fala pra mim e pra mais dez milhões de fêmeas espalhadas pelo mundo. Sim, porque você fala acreditando que eu acredito, e eu ouço acreditando que você acredita que eu estou ouvindo. Deu pra entender? O fato é que eu não te ouço. E esse seu espanhol entre as minhas pernas já deixou de ser tão sexy assim.
E posso te contar uma coisa? Quando você sai por aquela porta ali eu lavo os lençóis e passo aspirador no meu quarto porque não suporto a sua presença insistente que fica rodopiando no ar da minha casa.
Eu não ligo pra você, não tenho ciúme e também não me importo que daqui a um mês você esteja escondido em algum outro canto desse mundo falando as mesmíssimas coisas pra outra. Simplesmente porque quando você fala comigo meus ouvidos tapam automaticamente e a 9a Sinfonia começa a tocar dentro da minha cabeça.
Por isso que eu finjo que não recebi suas mensagens e por isso eu vi que, finalmente, eu deixei de querer amar todo mundo. Agora você já sabe a verdade. Deve saber também que certas coisas que eu falo no seu ouvido eu falo pra outros também. Eu também sou infiel a você e me sinto muito bem assim.
Mas por outro lado, tem quem ache que eu estou vulgarizando os meus sentimentos. Uma amiga me alertou para que eu não me rebaixasse aos seus pés, que nao deveria participar desse joguinho; mas sabe que, quando você entrou aqui ontem eu já sabia o que ia acontecer... Você acreditou que estava satisfazendo as suas vontades, mas não viu que eu é que planejei tudo, com movimentos friamente calculados, desde a toalha que você arrancou de mim até a trepada na cozinha. Isso me animou ao extremo e só por isso foi tão bom.
Dessa vez você não babou no meu travesseiro, nem infestou o ar com a sua presença insistente e muito menos comeu o meu jantar. Te mandei embora - e como é boa essa sensação - porque você não significa absolutamente nada na minha vida .
Me aconcheguei então, de lado, na cama vazia que guardava só o cheiro do meu hidratante, dei um sorriso de lado e dormi com a consciência tranquila, como nunca havia sentido antes.
Essa foi a primeira vez que eu fiz alguém de bobo. E também a primeira vez que eu me senti livre de verdade.

"A minha primeira vez também foi super legal, tia!"

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um dos poucos

Coloquei aqui um dos poucos comerciais neozelandeses que prestam. Este aqui é dos "Correios" daqui, um comercial muito especial, lindo e bem feito. Eu cheguei a achar que a música era do James Morison por ser muito parecida com o estilo e a voz dele, mas não. "One Day" é da banda Op-Shop, a #1 da Nova Zelândia. Não dou muito tempo para essa música estourar por aí, ela não pára de tocar na rádio. (eu choro toda vez q vejo esse comercial na tv). Prepara o lenço.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

3 e 2 lugares

Estava tudo bem, eu juro.
Mas parece que é lei ser necessário perder a ternura. Eis que, depois de um almoço feito com tanto carinho - daqueles típicos de casal-em-início-de-conversa, em que se mexe com a panela enquanto ele te encoxa no fogão, foi cometido o pior dos crimes: ele deitou no sofá.
Olha, não vou mentir, relacionamento novo é bom, uma delícia, mas ele fez algo que não deveria ter feito nunca e é por isso que não perdôo. Jamé.
Como diria a Folha on Line, entenda o caso: É que quando terminamos de comer (estávamos até numa conversa bastante animada) eu me senti esfaqueada quando ele soltou a pérola "vou tirar um cochilo ali" e se encaminhou para o sofá como alguém que está prestes a cruzar a linha de chegada de um triatho. Ouvi ao longe tocar Chariots of Fire enquanto caía a chuva de papel picado.
Ali, eu tive uma visão. Eu vi meu pai. Eu vi meu pai barrigudo tomando cerveja. Eu vi meu pai barrigudo, tomando cerveja no sofá. E foi então que eu sentei e chorei, implorando pra deus acordar o rapaz e fazer com que ele pulasse dali em um segundo para fazermos alguma coisa bem legal. Deus não te acordou e resolvi fazê-lo por conta própria. Acabei aprendendo uma lição: contra o sono masculino pós-almoço, ninguém pode lutar contra. N-i-n-g-u-é-m.
No momento em que eu observava a cena estática de um marmanjo esticado no meu sofá hidratando a almofada, tive alucinações. Comecei a sentir a presença de sete filhos correndo em volta de mim e falando castelhano, panelas borbulhando no fogo e o freezer entopido de cerveja. Logo já vi também a camisa de Don Diego Maradona pendurada na minha sala, cujas paredes seriam pintadas de azul e branco. No fim dessa miragem, ouvi um barulho de motoserra, que me fez voltar à tona. Percebi então que a moto-serra era a única coisa real. Sim, ele roncava. Alto.
Como uma boa praticante da calma e da paciência, abri o freezer (que graças a Deus não está lotado de cerveja), peguei um pote de sorvete de chocolate e me acalmei enquanto lia um livro. Será que eu havia ficado louca? Será que a vida me reservava esse futuro, ó ceus?
- "Não, claro que não", pensei comigo mesma ao mesmo tempo em que ouvi um resmungo vindo diretamente do sofá. Era ele na difícil tarefa de mudar de posição.
Procurei desanuviar os pensamentos e continuei lendo. Li e esqueci minhas alucinações.
Percebi que já havia passado três horas, quando resolvi tentar ressucitar o coitado, cujas raízes recém-formadas já se percebiam por entre os pés do sofá.
- Vai, meu filho, acorda aí! Já são cinco da tarde.
- Oi? Nham.
- Levanta!
- Que pasa?
- Você tá dormindo há três horas e eu preciso ir ao supermercado antes que feche.
- Ah! Nossa, desculpe, não consegui acordar.
- Tá mas vamo logo.
- Espera um pouco.
- Que foi?
- Tem uma cerveja aí?



"Não, não é não! Meu sofá é muito melhor que o seu, Gracccccinha!"

domingo, fevereiro 03, 2008

Dicionário

Às vezes eu me sinto tão idiota em não conseguir falar inglês fluentemente que me dá até raiva. É que o inglês parece tão fácil perto de outras línguas... tipo... o português.
Vai vendo.
Nós conhecemos algumas gírias e expressões em inglês, mas quase ninguém conhece as nossas expressões tupiniquins que usamos a torto e a direito em qualquer ocasião. Prova foi hoje, que el nene argentino me perguntou:

- "Porque los brasileños hablan tanto porra?"
- "Todo mundo fala ué, é uma expressão, não sei!"
- "Y cuando yo puedo dicer porra?"
- "Em qualquer situação ué!"
- "Pero porra és aquela cosa ..."
- "Sim, mas quando a gente fala PORRA é outra coisa"
- "Pero para cosas buenas ou más?"
- "Pode ser para as duas coisas! Você pode dizer 'PORRA! Ganhei na loteria' ou então 'PORRA, levaram todo o meu dinheiro'.
- "Hum! Que legal menina! Y puta que lo pariu, que és?"

Achei melhor explicar através do método da Cartilha Caminho Suave. Confira.
Você pode dizer um sonoro PORRA!!!! quando se depara com isso:



... ou com isso...







Você também pode esclamar um gostoso PUTA QUE PARIU!!!! olhando isso...








... ou isso...







Agora, você pode usar tudo junto, adicionando outras expressões chulas do nosso vocabulário, para exprrimir algum sentimento que ninguém ainda sabe o nome. Use um PORRA, VAI TOMA NO CU, PUTA QUE PARIU, CARALHO! Ao ver isso...





Deu pra entender?

sábado, fevereiro 02, 2008

É bom ser assim.


Depois de uma noite muito mal dormida (que deveria ter sido bem dormida), acordei na hora do almoço bem com vontade de dormir de novo. Ainda tentei ser uma pessoa melhor indo à praia. Se quiser um conselho, nunca, mas nunca vá à praia de mal humor, porque parece que tudo ali é tão alegre e tão lindo que é como se todas aquelas criancinhas e guarda-sóis soubessem que você não está num dia agradável. Todas as coisas da praia olham torto para você dizendo "mocréia ranzinza".
Enfim, eu estava era com vontade de ficar quieta, tanto que vim embora logo depois da primeira meia hora. A outra vontade era fazer algo bem tosco. O mais tosco possível para eu me sentir mais, digamos, alegre.
Arranjei uma Marrie Claire de 2005 e li de cabo a rabo com um dicionário de lado. Percebi que o dia tinha acabado porque não estava mais enxergando as letras da revista. O cúmulo. Depois, pra completar esse momento roots-baranga, preparei uma das piores coisas da indústria alimentícia: gelatina. E, pra piorar, de laranja. Eu tenho uma queda por coisas ruins de comer, não sei o que acontece.
Nesse meio tempo me chamaram pra ir numa festa de argentinos. Eu adoro mesmo gelatina de laranja e já entendi que hoje sim eu vou dormir que nem uma princesa. Mesmo que a festa seja aqui do lado de casa.

Google, essa coisa.

Uma das coisas que mais me divertem é saber como as pessoas chegaram aqui no Mãe Já Acabei. Para isso existem ferramentas que indicam, por exemplo, o que uma pessoa queria saber do Google e acabou vindo parar aqui, nesse blog indecente. As últimas 10 pessoas que deram uma olhadinha aqui pediram ao oráculo google que lhes mostrassem isso: 1- "como encaixar um tapa sexo de carnaval?" - (puts, essa dúvida tb me consome há anos!) 2- "o que fazer quando se está cansado" - (eu costumo dormir, e você?) 4 - "jesus toma conta blogger" - (concorrente!) 5- "globo rural + doce de figo" - (sei que tem que cozinhar o figo com muito açucar e depois...) 5 - "cimpatia para afasta amante" - (amarra a boca do çapo com um papéu dentro) 6 - "as mais vadias e Uberlândia" - (não tenho amigas em Uberlândia) 7 - "então vem, maltrata de vez" - (Me arrepia essa música, adoooooooro) 8 - "neo linguístico" - (hum... alguém sério por aqui) 9 - "Boa noite Brasil" - (Gilberto Barros ai lóve iu) 10- "Francine Micheli" - (sinto que há alguém me perseguindo...)