sábado, agosto 30, 2008

Turista geek

Semana retrasada, achamos um lugar aqui perto tão bacana, que achei que valia a pena postar algumas fotos. Recomendadíssimo pra quem der um pulo aqui pelas bandas. É o Puzzling World, em Wanaka, uma espécie de parque temático onde só tem jogos, quebra-cabeças e ilusões de ótica. Nerd é meu cu.
Tão legal!

Todos têm o direito de tirar fotos manjadas nessa vida.

Tinha milhares desses pra jogar à vontade. Eu não consegui nenhum.

Trocando uma ideía no banheiro romano. No final o loirinho aí me pagou uma cerveja.

Cu doce? Senta aí.

A entrada. Ou a saída. Tanto faz.

Sinto que tem alguém me olhando.

Tempo agradável na cidade, 1 grau, mais ou menos. Mas recomendo.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Noitada

Sentamos na sala, eu e ele, cada um com seu cigarro de Damiana - uma erva afrodisíaca e que costuma ativar os rins e relaxar a mente. "Bom, e o que você pensa em fazer da vida?" - eu pergunto. "Meu objetivo é trabalhar até os 30 anos e depois ter dinheiro suficiente para não trabalhar nunca mais" - e solta uma baforada no ar. Parei, olhei praquele baseado inofensivo e pensei comigo mesma que ele, aos 23 anos, sem nenhum trabalho ou vontade de conseguir um no momento, estaria alimentando uma idéia bastante ridícula. Afinal, 24 horas por dia enfiado em casa, jogando alguma coisa no seu Mac poderoso e fazendo snowboard uma vezinha por semana, não deve render muitos dividendos. "Mas cara, como assim? Você quer tipo se aposentar aos 30 anos?" "Exato". Pausa. Às vezes a paz desse lugar me incomoda um pouco porque seria bem nessas horas que poderia entrar um assaltante, uma bala perdida atravessando a parede, ou simplesmente aparecer uma notícia no telejornal sobre alguma catástrofe - se tivéssemos televisão. Mas não. Silêncio. Daqueles que criam abismos em qualquer diálogo. E, depois dessa revelação bombástica, eu era o mais profundo silêncio. Aquela porra tava me deixando chapada já. "Meus avós são chineses e eles dão dinheiro aos netos todos os anos. Tradição". "Mas olha que mamata!" E lembrei da minha avó que me dava sonho de valsa e bis toda semana. E aí ele desenrolou um discurso sobre seus ancestrais e quão complicado é aprender mandarim, enquanto eu afundava no sofá, olhando aquele carpete verde e o barril que servia de mesa. "E você?" "Oi? Ahn, eu vou voltar a ser jornalista. Ano que vem. Pretendo." E derrubo um monte de cinza nos peitos. Não-fumante que aprecia alucinógenos, sabe como é, um desastre. Realmente, um assaltante poderia derrubar a porta nesse momento. Silêncio. "Poderíamos comprar um piano aqui pra casa né?" "Boa idéia!" - acho que a essa altura eu estava batendo o cigarrinho no cinzeiro há 10 minutos . Maldito. "Então", ele continua em velocidade 1, "vou me dedicar a trabalhos voluntários, eu e minha namorada". "Uau! Sua namorada também vai se aposentar aos 30!" Nesse momento ele põe o Mac no colo, ajeita o óculos embaçado. "E ser jornalista deve ser muito bacana". "É, bastante. Acho que vou comprar um saco dessa erva. Vou dormir melhor hoje." "Achei um Piano por 100 dolares! Aqui pertinho, ó!" "Compra aí" - essa saiu de mim sem querer e caímos na risada. Uma risada mole. Levantei do sofá, tropecei no barril e me despedi desejando boa noite. Dormi como uma pedra e nem lembrei que tinha algo de afrodisíaco na minha corrente sanguínea. E ele permaneceu no sofá. Comparando preços de pianos.

domingo, agosto 24, 2008

É mesmo tudo igual?

Você, amiga vivida, conhecedora profunda do comportamento masculino, mais rodada que nota de 1 real, que ressucitou de relacionamentos mortais como uma figurante do video-clipe de Thriller, que já se apaixonou por um homem que usa sapato e cinto caramelo... Você, mulher, que já chutou a bunda de um cafajeste, erguendo em seguida o pulso, bradando aos quatro ventos "nunca mais sentirei fome!", jogando-se em meio quilo de sonho de valsa... Você, colega, que já quis desbloquear a porta dos fundos, mas, como a Regina Duarte, sentiu MEDO... Você, que conversa sobre Rodin, Nietzche, Karl Marx, mas que se afoga numa Corpo-a-Corpo todo mês e já tentou - sem contar pra ninguém -, fazer a dieta da Lua. Amiga, colega, parceira de gênero, o que você me diria sobre uma situação como essa: Existe um bofe. Um bofe bonito, gostosérrimo, inteligente e na flor da idade. Você saiu com ele algumas vezes, que fez questão de pagar gentilmente o seu jantar e o dos seus 3 amigos, situação cuja mensagem subliminar indica que ele não é poca bosta. Ele abre a porta do carro para você descer, te deixando de olhos arregalados, pois acabara de encontrar um exemplar vivo da espécie Hommo Edducadus Exticntus. Dois meses depois ele te adiciona no msn e diz que daqui umas semanas está indo te visitar. Com o obséquio de que sua cidade é em uma ilha e a dele, é em outra. Ele pergunta se pode ficar com você durante o fim de semana. E eu te pergunto: nesse caso, o que você sugeriria? a) Sai fora. É pegadinha do Mallandro. b) Sai fora. É viado enrustido. c) Sai fora. Ele é uma experiência científica e está sendo monitorado por geneticistas finlandeses. d) Sai fora. Você nunca vai poder peidar em frente a um sujeito como esse. e) Quê? Com esse aí eu faço investimento a longo prazo, pago juros e ainda boto na poupança com gosto. f) Me dá o msn dele? Nesse momento difícil, toda conselho será bem vindo. Obrigada.

quinta-feira, agosto 21, 2008

E sua mãe também

Depois de cruzar o cabo da boa esperança e chegar aos 26, é fato que percebi mudanças e, não só no índice de massa corporal, mas também no comportamento. Talvez tenha notado isso com mais perspicácia por conta do isolamento social e porque meu poder de observação é bastante aguçado. Mas a realidade não perdoa e é uma só: eu fiquei igualzinha à minha mãe. Hoje acordei, preparei meu café da manhã, sentei confortavelmente em frente ao aquecedor e fiquei ali construindo uma cena bucólica, admirando a chuva cair, derretendo a neve e quase levando meu carro embora junto com o lamaçal. Até aí, era eu. Depois de terminar minha tigela de iogurte, fui até a cozinha e percebi a cena de horror: um George Foreman encrustrado de queijo endurecido implorando para ser limpo, um fogão capenga e desfalecido respingado de gordura, uma pia sufocada por copos e pratos sujos. Essa era uma missão para... Dona Vera. Sim, porque se a minha mãe visse aquilo já ia se vestir com seu conjunto de gorgurão azul marinho (que me dá medo), se apossar de um poderoso Veja Multiuso e começar a esfregar freneticamente com todo ódio que habita em seu coração. Seria o apocalipse para ela. Mas peralá, era eu! A dona do quarto mais zoneado da cidade e que descobria de tempos em tempos pipocas fossilizadas em baixo da cama... E hoje, eu não suportei aquela sujeirada e fui combater os germes e a gordura como jogadores de rugby indo em direção aos seus adversários. E o assustador de tudo era que aquela imundície toda nem foi eu que fiz! Era culpa dos flatmates suínos! Meu Deus. Eu estava limpando a sujeira alheia e perdendo a minha manhã com isso, ou seja, tudo o que Dona Vera fez durante toda a vida dela e que eu criticava veementemente. Afinal, havia coisas mais importantes do que se render às tarefas do lar e gastar uma vida inteira polindo armários e lavando cozinhas. Enfim. Paguei a minha língua, cuspi pra cima e caiu na testa, vi que pimenta no cu dos outros é refresco. E, numa tentativa desesperada de manter a ordem, falei educadamente com o japonês-nerd-de-Brunei que mora aqui, cujas mãos cairiam se resolvesse lavar um copo: "olha, acho que deveríamos tentar manter a casa limpa né?" Ele concordou com a paz budista dele, mas tenho certeza de que, me virando as costas, seu lado B aflorou-se com pensamentos nada-compreensivos do tipo "nossa, que mina mala, parece a minha mãe, vá à merda". Sabe, mesmo achando o Belchior horrendo com aquelas músicas de quinta categoria e aquele bigode nojento de miliano atrás, assumo que ele tinha razão quando disse que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Em termos, ainda bem. E Verinha tinha razão. Como quase sempre.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Indicação da semana

Se tem uma coisa boa nessa vida é gente que sabe fazer os outros rirem. Não os que tentam, porque esses são os mais malas e geralmente acabam no limbo do esquecimento com o imperdoável passar dos anos. Fazer rir é talento, ninguém aprende a ser engraçado.E, foi pensando nisso que eu resolvi citar (porque muitos já devem ser fã) uma dupla kiwi que já é famosa por todo-quase-mundo - já que eles têm um seriado homônimo na HBO e ganharam inúmeros prêmios pelo choubiznes afora.
Flight of the Conchords é uma dulpa formada pelos ex-flatmates Bret McKenzie e Jemaine Clement que se conheceram enquanto cursavam Cinema e Teatro na Victoria University em Wellington - a capital neozelandesa. Assim que os dois juntaram suas escovas de dente, também juntaram suas idéias non-sense com um tanto de poder de observação, criatividade, bom gosto musical e mais um punhado de falta de propósito na vida.
Foi que foi que, por entre os perrengues da vida de estudante, surgiu a dupla como uma brincadeira de faculdade e desde 1998 eles se dedicam a rir da cara dos outros e, por consequência, fazem os outros rirem (deliciosamente) também.
No entanto, como não conheço o seriado e tampouco a extensa lista de premiações dos moços - sei que ganharam o Grammy esse ano por melhor álbum de comédia - vou me restringir a indicar o último cd dos caras, que leva o mesmo nome da banda.
Primeiro, não foi fácil achar essa porra pra download. Segundo, valeu a pena quase um mês procurando.
Eu poderia dizer que é um daqueles discos que você escuta por semanas seguidas e consegue soltar gargalhadas em todas as faixas, seja pelas frases de efeito (oh my God/ she's so hot/ she's like a curry), pela sensualidade de cantores de churrascaria presente em todos os vocais, pelas ótimas tentativas de agudos-a-la-Mariah-Carrey ou pelas impagáveis paródias do mundo artístico.
Por um lado, se as letras fazem sua barriga doer de tanto rir, os arranjos vão fazer seu queixo despencar e vão te lembrar coisas como Jamiroquai, Jack Johnson, Neil Young ou Trio Los Del Rio, dependendo da música. É o tipo de coisa que só ouvindo mesmo.
E, cuidado, Flight of the Conchords é extremamente viciante, gruda na cabeça e é certo que você vai começar a rezar todas as noites para que o novo cd da dupla saia logo. E vai rezar pra santo que você nem conhece.
No mais, McKenzie e Clement são caras bacanas, apesar de sexualmente repelentes - e fazerem disso um ponto mais que positivo - são originalmente talentosos e muito, muito bons artistas.
E eu duvido que eles aprenderam tudo isso na faculdade.

DOWNLOAD

*Post descaradamente copiado do Depredando pela própria autora devido à falta de disposição. Agradecemos a compreensão.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Não, eu não vi.

Nenhum jogo do Brasil, nenhum grande-novíssimo-herói da natação, nem a inédita conquista das meninas da Vela, nem o arremesso de bolas de ferro, nem os saradões do volei de areia, nem bosta nenhuma. Fiquei sabendo que as Olimpíadas tinham começado porque alguém me perguntou se eu tava contente pelo 5 x 0 do Brasil contra a Nova Zelândia. Essa é a intenção.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Falando do diabo...

Certa vez fui no show dos Los Hermanos e, logo após a segunda música e já em estado de transe profundo devido ao sono, dormi em pé no ombro do meu ex-namorado, no meio do povaréu aglomerado.
No final do show, percebi que as luzes tinham sido acesas e eu perguntei a ele, com os olhos remelentos: "E aí, curtiu?"
E ele, com aquela incapacidade de ser maledicente até a respeito de George Bush, soltou: "É, foi bacana". Mas no fundo daquela alma boa, também havia rusgas de desprezo pelos criadores de Ana Julia. (e que não reneguem o passado!!!!)
Foi quando apareceu uma amiga minha de miliano atrás e me questionou, sem voz alguma - pois berrara todas aquela poesia cantada durante as duas horas de show -, sobre o zenzacional espetáculo: "E aí, curtiu?" (Imagine alguém com os olhos arregalado, suada e esbaforida, sorrindo de orelha a orelha). Após procurar no meu arquivo mental alguma resposta sensata e de acordo com as circunstâncias, copiei meu angelical ex: "É, foi bacana".
Saí de lá pensando que: #1 - se eu fosse empresário da banda, a primeira coisa que eu faria seria mandar todos tomarem um banho e dar de presente a cada um um Prestobarba. #2 - eu poderia (poderia) ser uma mocoronga superficial que não manja bosta de poesia #3 - Esse Camelo bem que podia voltar pro deserto de onde ele veio. Em tempo: li por esses dias não sei aonde que o Camelo vai montar uma banda com o Fabricio-baterista-do-Strokes. Confere? Me avisem pra eu tomar um Red Bull antes de ouvir.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Já sei, já sei...

Esse blog tá ficando mais chato que um show do Los Hermanos... desculpem-me.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Te cuida, Salgado

Eu me dei de presente de aniversario DUAS máquinas fotográficas. Teria eu algum problema? Carência afetiva, megalomania, dinheiro sobrando? Não. Falta de prática no Trade Me.
Aqui estão algumas crias da Fuji Finepix S5600.
Monocromática Anushka. A foto é colorida, juro.

I got you!

Povo feliz é assim. Faz festa de natal em Agosto.

Take a trip to my yard. Em casa.

Say hello to Arrowtown!

Geométrico, não?

Esperando o dono na porta do restaurante? Isso é pecado!

Qué da uma voltinha no cenario do Senhor dos Aneis? Entraí.

My Personal Jesus. Mesmo sem luz, o coração radiante.

Mãe, já acabei!

Vera Micheli says: acabei de falar c/ dr. elias , ele disse que não tem problema desde que esteja com uma alteração entre 450mil a novecentos mil Vera Micheli says: qto a urina eleperguntou se vc colheu no laboratorio ou em casa? Fran says: la no hospital Fran says: perai ja volto Vera Micheli says: porque pode ter havido contaminação na coleta , e este exame de urina foi de rotina ou foi urocultura? Fran says: ahahh eu la vo sabe Fran says: mandaram eu mija no pote e eu mijei caraio Fran says: mae preciso faze coco, esperai Vera Micheli says: ta bom Fran says: nossa. as vezes é ruim ter banheiro no quarto.... rss... Vera Micheli says: vc esta se auto sufocando Fran says: completamente! Vera Micheli says: ahahaha

sábado, agosto 09, 2008

Um texto de amor

Ela me conhece. A ponto de eu comentar alguma coisa e ela já vir com aquele sorrisinho pequeno, olhando pra baixo e logo depois nos meus olhos, cruzando as mãos sobre a mesa em que provavelmente estamos sentadas comendo alguma porcaria. Toda essa encenação pra soltar um doído "bixu, vou te falar uma coisa...". Pronto. Já é certo que tô fazendo alguma coisa errada e vou levar um puxão de orelha. Seja porque ela descobriu alguma coisa que eu queria esconder simplesmente olhando pra minha cara, ou porque eu realmente estou cega de idiotice. Ela me conta segredos. Uns bem cabeludos, outros que me fazem gargalhar por dias. Sempre em alguma mesa de boteco e pra isso haja açaí, caipirinha, cerveja, provolone à milanesa e cachorro quente pra aguentar quilômetros de conversa. Se somarmos todas as horas que nós gastamos juntas nessas situações soma uns 5 anos. Menos de um terço do tempo que eu a conheço. E tudo aconteceu em meio a uma briga arranjada por mim, porque a minha equipe hava perdido a gincana da escola pra equipe dela. Quem era aquela baixotinha invocada que ria da cara de alguém tão mais... mais... alta que ela? Uma semana depois estávamos na minha casa fazendo o trabalho de matemática juntas e comendo (claro) misto quente. O que mais a gente podia querer da vida? Ah, sim, um namorado. E tivemos. Muitos. Namoros longos e curtos, bons e outros nem tanto. Ruins e outros piores ainda. E quando ela conhece alguém interessante ou acontece algo muito fantástico (às vezes nem chega a tanto) ela me liga: "bixu, aaaaaaaaii......" e solta uma das gargalhadas mais deliciosas que eu já ouvi na vida. Daí eu já sei. Mas o que me deixa feliz é o fato de termos cabeças completamente diferentes e mesmo assim, ficar tão à vontade ao lado de uma das raras pessoas pra quem eu dispenso qualquer defesa. E isso acontece desde quando ela tinha o quarto forrado de posters do Bon Jovi e eu dos Mamonas Assassinas. E eu sempre a conheci assim, sempre sem travas na língua e tão doce quanto forte, com toques de fragilidade extrema e um estranho hábito de comer feijão com Neston no almoço. Convivi com a menina que mastigava grafite na aula, com a adolescente que se meteu na Austrália sozinha e me mandou uma carta de lá e com pequenininha-grande mulher que ela é hoje, que trabalha duro, ama o que faz e está se preparando pra ganhar um sobrinho logo mais. Ela sabe da minha vida. E eu sei a dela. E é isso que me faz olhar o porta-retratos das nossas vidas e me enxer de orgulho por termos dividido tantos anos. E hoje, é o que me enche o coração de saudade e de vontade de voltar correndo. Ou melhor, voando, só pra ficarmos deitadas na grama do jardim, olhando pro céu, e lembrar que até o mais profundo silêncio pode dizer muito quando ele está entre dois verdadeiros amigos.

*Adoro essa foto.

terça-feira, agosto 05, 2008

Botticeli, Roberto Carlos e as rolhas de poço



Definitivamente, a vida não é fácil para uma mulher. Não para uma mulher que, na altivez dos seus um metro e setenta e três, espalhava-se entre contidos 60 quilos e que quatro meses depois transformaram-se em apavorantes 75. O pior momento - aquele da constatação - foi quando, depois do banho, ela se olhou no espelho de frente, de lado, de costas, apoiou as mãos na cintura e notou celulite ali, formando dobras na parte de trás do braço, dobras nas costas e no pescoço. Era praticamente um origami.
Conte ali mais uma bóia na cintura e pernas tão torneadas como um tronco de árvore bicentenária. Nascia uma musa da arte renascentista. Branca, pelancuda, pálida e emplastrada de camadas lipídicas sob a pele.
Coitada, se sentiu péssima, mas ainda com aquela esperança patética de que um dia aqueles quilos todos iriram desaparecer dali, fosse com a mudança de anticoncepcional, com a ansiedade controlada ou com a mudança para alguma cidade onde ou você pratica exercícios físicos ou vai direto pra cadeira elétrica.
Notando-se diferente do que sempre foi, ela começou a cultivar pensamentos no mínimo ridículos como comprar um pacote com 4 pudins de chocolate light e o pacote de biscoito dos Vigilantes do Peso, já que a dieta começa amanhã. E claro, porque é bom ter em casa pra quando bater aquela vontade de comer um docinho e isso tem que durar duas semanas. Que se repita mil vezes a frase: 'tem que durar duas semanas-anas-anas'.
Depois de fazer todas aquelas compras - contando também repolhos, alfaces e quilos de cenoura -,e de enfrentar meia hora no caixa do supermercado, ai, ela estava exausta e sabia que tinha que repor toda aquela energia gasta empurrando carrinho e carregando sacolas. Precisava comer alguma coisa.
(Um pudim de chocolate light, claro! Mas vem tão pouquinho no potinho. Dois. Ah, é light mesmo, vou comer o outro. Três. Ah, não vou deixar só um na geladeira. Quatro...... O que foi que eu fiz? Gente, alguém me ajuda, tem um exu somaliano no meu corpo!)
Quando se está - ou é - gorda, nada adianta, você se passa a perna todo santo dia, se promete mil coisas e nunca cumpre, come uma barra inteira de chocolate em frente à tevê com as banhas se dobrando por sobre as calças, pra depois ir chorar no banheiro, tentando acreditar na idéia de que foi - definitivamente - a última vez. A desgraça está completa. Ou melhor, falta comprar uma Marie Claire, usar o photoshop imaginário e mentalizar a sua cara no corpo da atriz da capa, pois um dia há de se chegar lá.
Aí tem aquele truque-tentativa-de-subir-a-auto-estima: conta pra todas as amigas que engordou 15 quilos só pra escutar aquele "imagina! Nem parece!", tão sincero e consciente quanto um pedido de casamento do Fábio Junior. E pobre do kamikaze que disser que você realmente está muito... arrãn... diferente. Morre com os tímpanos estourados num golpe de tetas flácidas no meio da cara.
O fato é que nada, e eu profetizo em caps lock, NADA, vai catapultar a banha mole que se agrega no seu corpitcho. Nem o fato de você morar numa cidade tranquila, ao lado de um lado com pista para caminhada a 10 metros do portão da sua casa. Serão mil razões para não fazer as caminhadas, afinal, é muito frio, o tênis tá muito velho e vai dar problema na coluna e é bom aproveitar a manhã pra descansar em casa. E fora que também tem todo o preparo psicológico pra começar a trabalhar às 4 da tarde.
Poxa, acabou nem dando tempo, essa vida corrida, viu...
Esqueça. Sua cabeça é que está gorda e com isso vem os adicionais: não sai mais de casa porque não tem roupa e desiste de se depilar porque ninguém vai te comer mesmo. Embaranga-se.
Além de gorda, fica feia, mal-humorada e peluda.
Diagnóstico: você é uma séria candidata a entrar em depressão. Ouviu, rolha de vulcão, tampax de orca, supositório de hipopótamo?
Então qual é, vai esperar um remake da Porta da Esperança pra você ir lá pedir 15 dias num SPA luxuoso ou vai começar a comer feito gente e deixar esses hábitos suínos prá trás de uma vez por todas?
O negócio é que é bom ter um corpo bonito, assim como uma cara bonita também. E nem me venha com aquele papo de que o que importa é a beleza interior. É bom vestir uma roupa e sair de casa sabendo que nada tá fora do lugar. É ótimo sentir olhares e melhor ainda, ter vontade de trepar com luz ou sem. Ou ainda alguém acha que algum homem (bonito, gostosão e com todos os dentes) vai querer se perder nesse mar de carnes adiposas? Meu grande amigo, bicho, Roberto Carlos, que me desculpe.
Sabe, acho que tá na hora de seguir meus próprios conselhos e pular a barreira do marmota way of life.
A partir de amanhã, wafer de chocolate tá proibido em casa. Ah é, tem 5 pacotes na gaveta ainda. É meu aniversário domingo né, poxa.
Segunda-feira.
Prometo.

segunda-feira, agosto 04, 2008

É coisa que puseram na minha cabeça...

... vá pro inferno com seu amo-oooooooooooooooooooor...
só eu amei-iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii você não me amo-oooooooooouuuu....
Luxo é relembrar uma corneada e baixar The Best of Chitãozinho e Xororó as 2 da manhã enquanto neva.

... Companheiro, agora aquela que fala 'vo tomá um pingão'...