Ele diz que ama, daí ela ama ele também. E lá se vão os dois nadar de braçada na lagoa do amor profundo e verdadeiro de quem se conhece há um mês. No som do quarto (ou ninho de amor) só toca Norah Jones. Ela sim sabe traduzir essas coisas, de borboletas no estômago, coisa e tal.
Daí o outro vem e me fala que todas as mulheres são loucas e que não é a hora de levar a coisas a sério. Mesmo quando se tem quase 50 anos e uma pança que chega primeiro em qualquer festa.Logo mais vem outro, aquele que te aborda bem quando você está encostada no balcão a espera do seu red bull, lhe dizendo coisas que parecem atropeladas pela música alta. Coisas tão originais e inovadoras quanto o especial do Roberto Carlos no fim do ano.
Certas horas admiro as putas. Sempre levam vantagem no caso homem-mulher. Não tem nheco-nheco. Nem te amo, nem flores no dia seguinte, muito menos têm que conhecer a família alheia no próximo feriado.
Certos também estão os nerds. Aqueles mesmos que usam camiseta preta com escritos sem sentido em verde fluorescente e óculos adornando nas festas. Eles sempre são felizes porque nunca tentam se decepcionar, pagando uma de ridículo pras loiras. Tem gente que gosta do tipo e aí é que eles se dão bem, porque sempre o que chega é lucro. Sem esforço. Sem dor. Tampouco com nheco-nheco.
Me dá coceira esses aí que amam muito e muitas vezes. Os que quase morrem muitas vezes e os que dizem que Fernando Pessoa era o cara. Já tive coisas assim e por isso me arrependo amargamente.
Tudo isso me faz é pensar muito no Fábio, o Júnior, e no quanto esse homem significa para a história do amor verdadeiro de dois dias. Fábio é personificação do ser-coração, burro e veementemente convicto de que essa é a forma mais intensa de se viver a vida. Anti-filosófico, Fábio é além de tudo uma cadeia de testosterona com pernas e sem cerebro.
Mestre do não-faça-isso.
Adoro.