domingo, fevereiro 22, 2009

As metades da laranja

Ele diz que ama, daí ela ama ele também. E lá se vão os dois nadar de braçada na lagoa do amor profundo e verdadeiro de quem se conhece há um mês. No som do quarto (ou ninho de amor) só toca Norah Jones. Ela sim sabe traduzir essas coisas, de borboletas no estômago, coisa e tal.
Daí o outro vem e me fala que todas as mulheres são loucas e que não é a hora de levar a coisas a sério. Mesmo quando se tem quase 50 anos e uma pança que chega primeiro em qualquer festa.Logo mais vem outro, aquele que te aborda bem quando você está encostada no balcão a espera do seu red bull, lhe dizendo coisas que parecem atropeladas pela música alta. Coisas tão originais e inovadoras quanto o especial do Roberto Carlos no fim do ano.
Certas horas admiro as putas. Sempre levam vantagem no caso homem-mulher. Não tem nheco-nheco. Nem te amo, nem flores no dia seguinte, muito menos têm que conhecer a família alheia no próximo feriado.
Certos também estão os nerds. Aqueles mesmos que usam camiseta preta com escritos sem sentido em verde fluorescente e óculos adornando nas festas. Eles sempre são felizes porque nunca tentam se decepcionar, pagando uma de ridículo pras loiras. Tem gente que gosta do tipo e aí é que eles se dão bem, porque sempre o que chega é lucro. Sem esforço. Sem dor. Tampouco com nheco-nheco.
Me dá coceira esses aí que amam muito e muitas vezes. Os que quase morrem muitas vezes e os que dizem que Fernando Pessoa era o cara. Já tive coisas assim e por isso me arrependo amargamente.
Tudo isso me faz é pensar muito no Fábio, o Júnior, e no quanto esse homem significa para a história do amor verdadeiro de dois dias. Fábio é personificação do ser-coração, burro e veementemente convicto de que essa é a forma mais intensa de se viver a vida. Anti-filosófico, Fábio é além de tudo uma cadeia de testosterona com pernas e sem cerebro.
Mestre do não-faça-isso.
Adoro.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Cachorrada

Boss, Mapple e os maorinhos.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Indigestão

Imagine que, num belo dia ensolarado e após um cansativo expediente, você, cheia de alegria, resolve almoçar no shopping pra bater um papo com vc mesma, aquela coisa íntima. Senta e espera um delicioso kebab com fritas e coca chegar quentinho e gostosinho, coisa que não demora mais que três minutos. Hummmm... a fome da tarde é a melhor de todas e, como se fosse São Jorge, você vai dilacerando o monstrão que está na sua barriga com uma deliciosa refeição a descer redondo pelos seu canal gástrico. Eis que, num momento sublime, o vovô maori sentado na mesa da frente resolve brincar com sua netinha. E a brincadeira se resume em deslizar graciosamente a dentadura pra dentro e pra fora da boca, pra dentro e pra fora, num vai-e-vem frenético e horripilante, sendo quase uma cena descrita por Stephen King... Tentar desviar o olhar não funciona, porque, como cena de terror a assustar uma criancinha, ela permanecia na mente, martelando imagens medonhas no seu subconsciente, fazendo com que seus medos mais profundos aflorascem numa correnteza de asco e arrepios dorsais. Vomitar no banheiro público não foi, de fato, tão nojento quanto o teatro dos dentes vivos.

domingo, fevereiro 08, 2009

Proletários, punks e bem comportados

Certas bandas têm um papel definido na vida da gente: o mesmo papel que aquele amigo seu de infância tem. É o amigo que te conhece desde quando você nem tinha peito - ou pinto - crescido, que te acompanhou pela adolescência e pelos ataques de rebeldia infundamentada, pelos amores eternos de dois dias e também esteve do seu lado enquanto outros amigos iam e vinham. O amigo que era o melhor de todos e depois foi se afastando, abandonando o cargo de parceiro pra tudo, mas que nem por isso saiu do seu caminho, sempre aparecendo pra dar um alozinho, ou ligando pra perguntar como estavam as coisas. Ele sempre faz questão de se fazer presente, seja no seu aniversário - porque catolicamente você sempre o convida - ou naquelas horas que a gente precisa botar os bofes pra fora. Ouvindo "Rise and Fall, Rage and Grace" o último e ótimo do Offspring é possível que alguns sintam a banda dessa forma: como um amigo de infância que apareceu depois de muito tempo com filhos e esposa, mas com a mesma carinha de menino dizendo que está com saudade. Ele bate na porta da sua casa pra te dar um abraço e apresentar sua nova vida. Em meia hora de conversa você percebe o quanto ele mudou e o quanto ele ainda é o mesmo. Talvez por causa daquele sorriso que você conhece tão bem ou por causa das manias que parecem nunca ir embora, te deixando intrigado e ao mesmo tempo emocionado por ter ali uma parte da sua vida passada que ainda faz uma puta diferença. Quando ouvi "Rise and Fall", a primeira faixa do disco, lá estava eu com 14 anos de novo, pulando no meu quarto planejando pintar o cabelo de azul. A sensação veio mais forte quando começou "You gonna go far, Kid", dilacerante no mais puro estilo do clássico e brilhante "Smash", de 1994. Dexter Holland ainda destrói meu coração quando canta e, além de ter uma voz absolutamente única, é o tal do meu melhor amigo de infância, ainda com o mesmo timbre e as mesmas letras azedas prontas pra te fazer sacudir a cabeça e cantar até ficar rouco no meio da casa. Mas aí, vem "Kristy, are you doing ok?" e "Fix you". Foi então que eu percebi que o meu amigo tinha realmente se casado, tido filhos e um emprego estável. De certa forma, meu amigo não era mais o mesmo. Mesmo. Tinha se tornado bem comportado, arrumadinho, cheiroso e politicamente correto. Da mesma forma, The Offspring está bem mais comportado, definitivamente, e não vale a pena entrar em questões como marketing, porque essa parte é bastante chata e não vem ao caso. Pra dizer a verdade, eu sempre espero das bandas - não só do Offspring - que elas me tragam cds como Smash, um dos melhores sempre. Ou até como o Dookie - do Green Day, outro da lista de paixões devastadoras. Melancolias a parte, não dá pra esperar que seu amigo de 15 anos atrás ainda esteja se vestindo de calça rasgada, bebendo até cair e rindo da vida à toa. Tudo muda. As bandas favoritas são como esses amigos aí. Eles mudam, mas você não se atreve a falar mal porque o sentimento aí no meio é verdadeiro demais pra isso. E Offspring é um desses melhores amigos de infância, agora de terno e gravata. E All Star no pé. De 1994. Porque éramos bem losers mesmo. Ahhhhhh Self Esteem!!! 2008. Seria Kristy uma amiga de infância de Dexter, violentada na adolescência, como dizem?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Felicidade

Dizem que felicidade é um estado de espírito. Ou que é um momento passageiro. Outros afirmam que é um objetivo de vida a ser conquistado. Ou até que ela nem existe. Mas experimentar a sensação dessa tal de felicidade foi o grande auge da semana. Mesa nova avistada por 60 mangos. No caixa saiu por 39,90. Nesse momento amei a mocinha do caixa mais que a minha própria mãe. Levei a mercadoria no ombro. O êxtase só não durou muito porque três dias depois a mesa estava por 29,90. Compreendi então o que sentem os investidores da bolsa.