terça-feira, março 31, 2009
Pelo bem dos intestinos
Eu poderia dizer que vou conseguir, que sou determinada, que é apenas por um tempo e que disciplina é essencial para a vida.
Não dá. E juro, não é somente a falta de auto-credibilidade, é também auto-conhecimento.
Apareceu-me a idéia de fazer Detox.
(pausa para entender o caso)
Detox é um programa neozelandês em que você tem que tomar 40 pilulas diarimanete e cortar absolutamente tudo do seu cardápio por 10 dias. Também conhecido como cólonterapia, o programa tira merda apodrecida dos seus 7 metros de intestino te deixando limpinho e levinho como uma brisa marítima.
(entendeu?)
Confesso que vi as fotos das porcarias saídas dos intestinos alheios imaginei que meu pânceps ainda guarda recordações de quando eu ia na praça XV comer pastel com a minha avó... muito medo. Além do que, já que as toxinas e porcarias são liberadas do corpo, o programa também se compromete a melhorar ou dar cabo a muitos outros problemas de bico de papagaio a gota, de artrite a frieira, de caspa a corrimento.
Na boa, eu invejo e muito quem consegue fazer o tal do Detox. Uma amiga minha fez e perdeu 7 quilos em 10 dias. E ela nunca mais teve compulsões por doces ou frituras. É tentador não? E a coisa funciona mesmo, dizem os sobreviventes.
Ok, era tudo o que eu precisava, uma lavagem daquelas. Mas, considerando que não se pode comer em 10 dias nada de pão, massa, batata, açucar, grãos, adoçante, comida industrializada, enlatada e nada que não venha com o frescor da natureza, já pensei que não, eu não presto pra isso. Ou sim?
[Auto-questionamento mode on].
Porque sim?
Glória Maria engole 240 pílulas diariamente e ainda tá viva. E tem um ótimo emprego ainda por cima.
Porque não?
Imaginei como seriam 10 dias sem comer azeitona. Não dá, definitivamente.
Porque sim?
Não seria tão horrendo assim, já que adoro tudo o que é verde. Realmente um prato de agrião com tomate me faz babar.
Porque não?
Salame, pururuca, Mc Donalds e Super Choc Sundae da Wendy's também me fazem babar.
Porque sim?
Tá na hora de dar um jeito na vida, não é mesmo?
Porque não?
Porque eu me chamo Francine e minha avó me criou podendo comer de tudo na hora que eu quiser. Tá?
Porque sim?
Porque minha vida mudaria e eu nunca mais teria desejos incontroláveis de comer porcarias.
Porque não?
Vá vá, vou ser eu manipulada por essa mídia grotesca?
Porque sim?
Sim, sou facilmente manipulada.
Ok. Eu vou acreditar por um instante que eu serei uma pessoa disciplinada e consciente por 10 dias. Que saiam todos os cocôs enrustidos desse corpo! Emnomedejesusaleluia!
Acho que acabei de ter uma idéia melhor. Vou exportar o programa pro Brasil e ficar milionária, derrubando o império da Herbalife e saindo na capa da IstoÉ.
Aí sim serei uma mulher de çuçeço. Além de tudo: esbelta.
segunda-feira, março 30, 2009
Oi, tudo bem?
Ok, a coisa tá desatualizada, mas ainda assim acho melhor esperar a inspiraçao chegar do que jogar aqui textos imbecis como este, que é só pra dizer um oi.
Ahn, digamos que ando com os humores instáveis. Coisa que colabora para tal é minha familia no telefone.
"Ai to apaixonada pela cultura indiana! Essa novela tá o máximo"
"É mãe?"
"Você já comeu samosa? Na novela eles comem isso sempre!"
"Era meu jantar quando eu trabalhava no restaurante, mãe. Isso me fazia peidar fedido horrores".
"Ai a Juliana Paes tá arrasando! Você tem que ver!"
"..." - silencio. Sono quase hipnótico.
"Oi filha! Quando você volta?"
"Oi pai..."
"Olha, já conversei com o Beltrano Junqueira e ele disse que você pode trabalhar lá na Radio Clube AM quando voltar viu! Não se preocupa não que tá tudo certo, ele é muito gente boa e..."
"..."- silêncio. Colapso cardíaco e ataque epilético simultâneos.
E mesmo assim, a intuição cutuca: volta. Ainda mais quando penso em visitar minha tia lá em Minas, a que sempre recebe visita com duas fornadas de pão de queijo e doce de leite.
segunda-feira, março 23, 2009
Notas rápidas, sem acento nem sentido
Adoro a aula de Body Balance. Na hora da meditação eu sempre organizo mentalmente minhas tarefas para a próximas horas, como cortar a unha, lavar o lençol e depilar a virilha. Sempre tem uma velha chata que tosse e me desconcentra nesse momento tão importante. Vaca.
Eu, que não conseguia nem vender água gelada no deserto, sou a campeã de vendas do combo coffee and cake, no Esquires. Ninguém me supera no "entupa seu cu de açúcar por $6.90 e seja feliz".
Pessoa destemida, estou defecando-me perna abaixo só de pensar em comprar o ticket pro Brasil. Cartão de crédito da prima, olhai por nós.
Fechando o buteco hoje, enquanto eu empunhava uma linda vassoura piaçava, me aparece na frente o maori forçudo e atleta. "Achei que você tinha morrido, Fran". "Não querido, meu celular que morreu há duas semanas". Lei de Murphy no meu cú.
Aniversário de três dos meus melhores amigos. Não consegui falar com dois. Lei de Murphy no meu forever de novo.
segunda-feira, março 16, 2009
Perna de pau
Por algum motivo eu voltei a ter um perfil no Orkut há meses atrás. Não porque é bacana ter 15 mil amigos ou melhor ainda é ler sobre a vida dos inimigos, atuais de ex-namorado e ex-namorada de atuais namorados. Ná. Botei minha fotinha naquele fundo azul-bebe horroroso por causa da possibilidade de encontrar música que nem o Google conhece.
Pronto. Ontem mesmo já fecharam a "Discografias", comunidade que tinha 1 milhão de membros - rãn, um milhão, desculpa - e era a maior discoteca da internet. Lá tinha até disco que minha vó ouvia no gramofone há 89 anos atrás.
Quem fechou o buteco? A APCM - Antipirataria Cinema e Música, representante legal das filiais brasileiras da Universal, Warner Music, Sony e o caralho a quatro. Atestaram que era pirataria compartilhar arquivos de música.
Como se fosse verdade que o artista sobrevive vendendo discos.
Como se fosse fácil acreditar que a APCA é uma entidade sem fins lucrativos.
Oras, todo mundo sabe que músico ganha sua grana com shows, em primeiro lugar.
Pra eu ir num show de alguma banda eu tenho que saber que porra os caras tocam. E pra saber o que os caras tocam, eu baixo o cd deles da internet, não parece lógico? Daí eu posso pagar até 150 pila pra ir no show, se compensar. Se não, eu falo pros meus amigos "olha esse som que massa". Eles, se tiverem dinheiro vão no show.
Bom, a merda tá feita. E agora, baixar música na internet é crime. RapidShare é crime. Isso tudo é pirataria.
Discutir isso é coisa muito chata, meu. Poderia vomitar linhas e linhas de apoio aos downloads da internet, tanto quanto poderia vestir uma camiseta encardida do Che Guevara e sair por ai de punho fechado gritando 'viva la revolucion". Aproveitando o embalo, eu também poderia colocar Jack Johnson no carro enquanto viajo pela praia e dizer "nossa, esse som é perfeito pra viajar". Poderia também aprender a tocar Stairway to Heaven no violão e falar "musicão, hein?". Poderia sair com um cara que vai pra balada usando uma camisa do Grêmio.
Mais médio nível, impossível.
Portanto, a única coisa que tenho a fazer é achar outros meios pra baixar som e me divertir nas outras comunidades do Orkut, tipo a "Não sei parabenizar pessoas". Aí sim, serei feliz novamente.
Pra quem quiser se informar sobre o bafo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u535222.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u533491.shtml
quinta-feira, março 05, 2009
Nem merece título.
Sabe quando você bate o dedinho do pé na quina da mesa e entre o ato em si e a sensação de dor rolam aqueles milésimos de segundos durante os quais seu cérebro não processa bem a informação e você fica meio que sem compreender o que de fato aconteceu?
Pois bem, senti essa mesma coisa quando vi isso.
Agora, passada a suspensão corpórea instantânea, recobrei os sentidos e estou pronta para adquirir um vidro de Emoções, chamar o gato na chincha e pedir um café pra nós dois amanhã de manhã.
Como nenhum publicitário de alto-escalão nunca tinha pensado nisso? O terno azul de ombreiras didi-mocó-way-of-life segurando a garbosa fragrância enquanto o cabelo estilo índia-véia adorna o rosto de vossa majestade?
Linhas adicionais:
Isso me refrescou na mente uma passagem muito importante da minha vida, quando eu acompanhei o meu namorado e sua pequena família de 263 pessoas no show do Rei em Ribeirão Preto. Comprei dois Nescau no Gimenes e com mais 10 pila tínhamos nas mãos o ingresso. O show - cujo repertório é mantido o mesmo nos últimos 89 anos - fez-me sentir na fila de espera do atendimento do SUS e, vendo a banda da terceira idade tocando instrumentos brancos, quase desmaiei de calor e tristeza.
Exatamente por coisas desse tipo que eu nunca, mas nunca mais, quero me apaixonar por ninguém na minha vida.
Agradeço à Camila por adicionar tanta cultura na minha vida.
segunda-feira, março 02, 2009
Oito ou oitenta
Acordei de repente e no mesmo instante estava eu e ele sentados frente a frente em meio a estátuas douradas de Budas e outras entidades com mais de quatro braços. Ah sim, eu estava lá porque era o nosso encontro romântico, a espera do nosso jantar romântico no restaurante tailandês mais bacana da cidade. Claro, ele bem vestido como sempre e eu de all star roxo, crente que iríamos pra algum Burger King da vida ou então entopir as artérias com baldes do KFC.
Acabei por me afogar no mar da ignorância quando imaginei esse tipo de programa com ele, o viciado em esporte cujo cérebro é tão utilizado quanto os músculos. Coisa linda viu, tão impensável quanto ver o Michael Jackson preto de novo.
Risada vai, comida chega. Comida vai, vontade de ir pra casa vem. Ah sim, esqueci. No background do rapaz não existe essas coisas de pés por debaixo da mesa ou olhares devastadores ou beijo precipitado. Ele é maori e tem dois metros de gentileza. Eu brasileira, um metro e setenta e três de pura devastação hormonal. Portanto, eu já tava a ponto de subir naquela estátua do Buda e arrancar a roupa gritando "pelo amor de Buda, me dá um beijo e abaixa essas calças agora".
Não. Era um encontro, um jantar para o qual ele me convidou e eu devia respeitar os ancestrais dele, que ditavam bons modos o tempo todo e uma distância razoável entre nós, tipo, de uns quatro metros.
Hora de ir pra casa e eu estava pronta pra tudo. Ô meu deus, como eu gosto desse freezer moreno e fofo e difícil de abrir. Os complicados que demandam manual de instrução sempre têm um gosto mais ácido, desses sabores azedos e fortes que te arrepiam a parte de baixo da mandíbula mas que ao mesmo tempo enchem sua boca de água.
Abri a porta de casa e me deparei com uma cena de horror misturada com porno-chanchada. Flatmates bêbados com uma porção de desconhecidos pulando ao som de "se você fosse sincera, o-o-o-o-, Aurora". Era carnaval na minha casa e eu tinha esquecido.
Ele me perguntou o que exatamente era aquela música e se o carnaval no Brasil era assim e eu só respondi que não, era muito pior. Não vinha ao caso e daí propus para irmos à praia.
Ok, era 10 da noite e chovia, mas assim mesmo era melhor negócio do que tentar explicar o Carnaval pra ele àquela altura do campeonato. Ele aceitou e foi ótimo. Foi ótima a conversa a quatro metros de distância e a areia que entrou na minha bunda. Tava ótima também a aula de Maori language. misturada com ervas de fumar. Enfim, nada convencional pra mim, tudo nos conformes pra ele, moço sério que, se não fosse de uma cultura completamente diferente da nossa, eu juraria que era crente, como diria meu pai, da igreja quadricular.
Eu insisti na pouca vergonha e me despedi dele com um selinho arrancado num assalto quase à mão armada. Que vagabunda, céus!
E ainda não consigo parar de pensar naquilo tudo e tentar identificar o que é o pior: se é se esforçar para entender uma cultura tão avessa à minha ou então insistir nos latino-americanos que sempre preferem pensar com a cabeça do pinto. Aquela mesma que tanto odiamos certas horas mas que não conseguimos viver sem por um mês sequer.
"Não faça isso, querido. Eu juro que não sou da tribo inimiga".
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