Tonho da Lua também se tratou com Fluoxetina e ficou ótimo.
quinta-feira, maio 21, 2009
Psiquiatras são todos uns bobões
Uma vez me levaram ao psiquiatra e eu já tinha lá mais de duas décadas de vida. O cara me perguntou umas coisas e depois de 30 minutos saí do consultório com uma receita para fluoxetina e o diagnóstico: bipolar.
Falei pra minha mãe que o cara era um ridículo, um grosso e que ele não sabia nada. Depois de um duelo de espadas seguida de uma luta de sumô com minha mãe, eu acatei a decisão e resolvi comprar o tóchico da minha geração, a heroína dos anos dois mil. Fluoxetina, meu amor, eu seria toda sua e faria parte da congregação dos pós-adolescentes-meio-adultos depressivos que choram vendo propaganda de fralda geriátrica e riam em velórios de desconhecidos.
Tomava meio comprimido a noite e no outro dia eu não conseguia trabalhar. Me pegava cochilando em frente ao computador ou olhando pro chão durante bons 20 minutos ininterruptos. Sofri de autismo intermitante. Mole. Com muito sono. Perdi a capacidade de assimilar idéias fáceis e era difícil prestar atenção no que as pessoas diziam. Eu olhava por através dos entrevistados e escrevia falas que eu inventava. Não comia direito. Tive olheiras de urso panda. Tudo para curar a "bipolaridade" que eu nem sentia atrapalhar minha vida, até então.
Fiz o que ninguém é aconselhado a fazer: interrompi o tratamento na metade e joguei fluoxetina na privada, depois de ter dormido por 30 horas seguidas.
Preferi deixar o psiquiatra acreditar que eu era daquele jeito, com os humores afetados, como problema na cabeça e que ele era mesmo um doutor de respeito que jogava tênis aos domingos no Centro Médico de Ribeirão Preto.
Depois de uns anos comecei a reconsiderar a idéia do diagnóstico passado. Me peguei agora mesmo ouvindo Damien Rice e Elza Soares na mesma playlist.
Seja bipolaridade isso, talvez. Ou não.
Mas já passou, o que rola agora é o novo quase idoso do Kings of Leon.
Do caralho.
Tonho da Lua também se tratou com Fluoxetina e ficou ótimo.
Tonho da Lua também se tratou com Fluoxetina e ficou ótimo.
quarta-feira, maio 20, 2009
Estranheza
Hoje acordei esquisita.
Me sinto assim... meio...
Hermeto Pascoal.
No sentido visual da coisa, mais propriamente dito.
No sentido visual da coisa, mais propriamente dito.
domingo, maio 17, 2009
Pegue seu banquinho e saia de mansinho
Tenho mesmo é saudade da época feliz de tardes de sábado ociosas assistindo Raul, o Gil, na sala com a minha avó, atochada na "poltrona do papai" xadrez mais horrível do mundo, adquirida por minha mãe em alguma promoção do Magazine Luíza.
O resto do sábado se passava com debates calientes sobre a potencialidade mercadológica dos calouros no remoto ano de 2001.
Nessa época, uma amiga minha da faculdade, a Annike, ganhou de amigo secreto um cd da ex-caloura-Claudia-Ohana-wannabe Kelly Moore, e, louca pelo quadro do Quem Sabe Canta Quem não Sabe Dança como eu, quase desmaiou de emoção. Eu fiquei com inveja porque a Kelly Moore era minha candidata preferida. Fizemos um churrasco e essa foi a trilha sonora, tudo muito ahn, despretensioso, regado a caipirinha, maminha maturada e trajes de banho ridículos.
Kelly Moore, a tal cantora, pintava a boca de vermelho e usava roupas de couro sintético. Tinha uma voz poderosa, boa mesmo, e me lembrava a Tina Turner, às vezes.
Daí que a gente cresce, amadurece e aprende inglês porque vá lá, é assim que tem que ser... e vê o quanto o passado realmente condena nosso futuro.
Vergonha de si próprio? Bobagem. Iguinorança é o comesso de uma vida sem pobrema.
Kelly Moore, 2001.
Imbromation is gonna start tonight.
quinta-feira, maio 14, 2009
Ai que alegria!
Segunda temporada do Flight of the Conchords na Prime TV? Segunda à noite? É muita felicidade pra uma pessoa só.
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sábado, maio 09, 2009
Sinto muito
Sempre achei que pedir perdão para alguém sempre é mais difícil do que perdoar. Independente do que seja, pra mim, é um ato de coragem se desculpar por alguma coisa, com sinceridade.
Particularmente, dói muito quando tenho que assumir publicamente uma cagada ou assinar meu atenstado de imbecilidade. Mas mesmo por tudo isso, ainda vejo no pedido de perdão uma grande dose de honestidade e dignidade, não importa se a decisão de se desculpar venha de nós mesmos, dum amigo, do namorado, da mãe, do patrão ou do Vanilla Ice. Oi?
Robert Van Winckle ressucitou depois de mais de duas décadas no limbo do esquecimento e como? Pedindo perdão.
"Me desculpo pelo topete, pelas calças baggy, espingardas, mentiras, gangues.... e desculpa pela música......... ahn...... eu era jovem, manipulado, e uma marionete..."
Não sendo o bastante, Vanilla se desculpa com pessoas na rua, além de ligar para números da lista telefônica para se desculpar, como ta lá no genial rightmusicwrongs.org. "Mr. Adam Abraham? This is Vanilla Ice... ahn... I'm so sorry...".
Portanto agora você já sabe: se seu telefone tocar não diga alô, diga "te perdoo".
E sabe, às vezes eu adooooooro marketing.
terça-feira, maio 05, 2009
sábado, maio 02, 2009
Acordo
E depois de uns goles de vinho, lá veio. Aquele chove e não molha previa que essa hora fosse chegar e não tardaria.
- Precisamos conversar, não acha?
- Olha, eu...
- Eu não quero que você pense que eu estou atrás de um relacionamento sério e quero deixar isso bem claro por hora.
- ... bom, eu achei mesmo estranho que você nunca se abre muito pra mim ou evita muita proximidade, mas eu também não estou muito atrás de namoro, ou coisa assim.
E se foram azedos vinte e sete minutos de conversa sobre recém-desmanchados enroscamentos, dores da vida e a decisão de romper aquilo antes que o caldo entornasse. Ele permanecia intacto, certo da decisão de terminar o que não havia começado, ela, certa de que a verdade valia mais que tudo, acatou a decisão e de coração concordou que a vida de solteira poderia ser ainda mais interessante.
- Acho que vai ser melhor pra nós dois.
- Eu acho muito legal a sua sinceridade e concordo.
- É. Obrigada por entender.
- Mas, não quer subir? Tá frio aqui no carro.
- Posso tocar uma música pra você então?
E se divertiram, beberam, dançaram na sala, fizeram aquilo que juntos faziam melhor do que ninguém e dormiram num abraço tão apertado que parecia que átomo nenhum passaria entre o peito dele e as costas dela.
Pela manhã, ele abriu os olhos, beijou-lhe a nuca mil vezes e fez surgir também mil risadas altas. Enquanto ela se levantava, ele já escovava os dentes.
- Obrigada por tudo, adorei a noite.
- Você se importa se eu não te acompanhar até a porta? Tô bem cansada.
- Não, mas cubra-se que tá frio.
Ele ajoelhou-se à beira da cama, disse que adorava o cabelo dela de manhã, deu-lhe um beijinho na boca e saiu.
Ela virou de lado e dormiu como se não dormisse há anos.
Não se viram mais até se esbarrarem três anos depois, num famoso festival de música, onde foram sozinhos porque seus respectivos marido e esposa odiavam aquele tipo de música. E conversaram, e riram, e ouviram música e tiveram vontade de se beijar.
Despediram-se na esquina e cada um entrou no seu respectivo carro.
Ele, lamentando-se de ter uma mulher que ria tão pouco o esperando em casa.
Ela, tendo a certeza de que sinceridade é mesmo uma bela merda.
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