quinta-feira, setembro 30, 2010

Momentos de esquizofrenia

Faço questã de compartilhar, meus amigos, algumas informações de extrema irrelevância. Mesmo porque estou numa puta insônia e adoro falar sozinha nessazora.

 Danço salsa e isso já é demasiado vexatório. Já tomei 7 picolés de uma vez.

 Eu era pianista e tive uma banda com a Camila Zambianchi-voz e a Tatiana Stoco-batera.

Toquei de Miles Davis a Michael Jackson e me achava por isso. Blasê from hell.

 Tenho uma tatuagem que é a partitura de um tema do Charlie Parker chamado Billie's Bounce.

 Adoro misturar cerveja com coca-cola. Acho que fica igual Malzbier.

 A polícia já me pegou.

 Na comemoração do meu aniversário deste ano eu estava com o vestido do avesso no bar.

 O primeiro cd que eu comprei foi do Raça Negra.

 Já achei que eu ia morrer de tanto amor. Percebi depois que era falta de apanhar.

 Participei de um concurso de lambada na escola. E fiquei em último lugar.

 Joguei as coisas de um namorado pela janela da casa onde morávamos juntos. E roubaram tudo. HA-HA-HA

 Morei no meio do nada por meses. E achei uma merda.

 Não suporto alho, nem qualquer coisa que seja salgada e cremosa tipo catupiry.

 Amigos me chamam de Bolo, por eu ser acostumada a comer metade do bolo das festas.

 Já fiz um jantar pros amigos com 60 ovos.

 Fiz trabalhos voluntários mas percebi que era por pura necessidade de limpar a minha consciência.

 Sonho em participar do programa Silvio Santos da plateia e falar que eu vim da caravana de Carapicuíba. 

Tenho um cisto no cérebro e convivemos harmoniosamente há 28 anos.

 Espero até hoje um disco voador passar pra me buscar.

 Não tenho boa noção de como me vestir. Não tenho bom gosto.

 Finalizando, gostaria de solicitar ao editor das minhas matérias Luiz Fernando Manzoli que voltasse a escrever no http://venceu.blogspot.com porque eram muito legais os textos dele e foi lendo isso que me veio a insônia. Eu nunca indico merda nenhuma, mas esse, como disse, é legal de verdade. Att,

quarta-feira, setembro 29, 2010

Não, obrigada.

Não compreendo a que ponto o mundo tem chegado. Ora, as pessoas perderam completamente o bom senso e, como se estivessem num deserto escasso, passaram a viver na mendicância. Pedem tudo o que não conseguem ter naturalmente, e com ares de autoritarismo, ainda por cima.

Me dá um voto? Me dá atenção? Olha pra mim? Me segue no twitter? Me chama pra sair? Entra no meu blog? Me convida pra sua festa? Vai me visitar quando eu estiver doente? Tira uma foto minha mas me deixa muito bonita? Olha pros meus peitos que estão prestes a pular pra fora do decote? Olha pra minha bunda logo, porque andar rebolando desse jeito dá uma lordose danada? Comenta aí o quanto eu sou inteligente depois de ler meu texto super-profundo-pau-no-seu-cu? Me dá tudo o que você tiver, agora?

 Quem não chora não mama, quem não arrisca não petisca. Quem não pede notoriedade nunca vai ser notado. Certo? Quase certo. Quem não tem o que quer por merecimento próprio pede incansavelmente e é acostumado a receber migalha em troca. E quando esses trocados passam a ser vitais é que a coisa fica feia.

Passa-se então a compreender o pouco como muito. A se dar uma importância que não tem. A se julgar mais lindo, mais poderoso, mais bem vestido, mais engraçado, mais influente do que qualquer outro ao seu redor.

Tudo porque poucas pessoas - exatamente as mais irracionais que se sensibilizaram com a sua mendicância - resolveram dar alguma coisa. E esse 'alguma coisa' é quase sempre uma migalha sem gosto em forma de elogio, que só brilha aos olhos de quem recebe.

E daí que todo mundo parece viver em jaula, como os chimpanzés no zoológico que estendem a mão a qualquer imbecil que ande sob duas pernas pedindo carinho, liberdade, amendoim, visitas no blog. Qualquer uma dessas barbaridades que não servem pra nada a não ser para mostrar o quão insignificante você é quando pede alguma coisa.

  Ah, vamos, vai?

quinta-feira, setembro 23, 2010

O caso do indiano

Por esses dias lembrei de uma época obscura, aquela que até hoje eu não consigo identificar como muito legal ou muito depressiva: os 9 meses em que trabalhei num restaurante indiano.

O chef era um caboclo bigodudo e mal compreendido, porque mesmo sendo o dono do restaurante, morava em um albergue com mais sete negos no quarto. Desisti de entender.

 Mas o centro da lembrança não era isso, nem o cheiro de curry que impregnava até na sola do meu sapato, nem o fato de eu ter aprendido a cozinhar uma comida que detesto. O auge disso tudo foi que ali eu soube que as nossas realidades não valem o mijo de cada dia aos olhos dos outros, que muitas vezes nem chegamos a reconhecer esses outros como seres humanos.

Eles são tão idiotas quanto nós, tão relevantes quanto nós, dependendo do ponto de vista. Uma bela noite depois do expediente, reuniram-se na cozinha o chef bigodudo, o cunhado, o irmão dele e um guru. O guru, que usava turbante dourado, lápis no olho e uma mancha cor-de-rosa entre os dois olhos, veio na minha direção para fazer a mesma mancha na minha testa. Eu fui pra trás e ele insistiu. “É o seu terceiro olho, very good for you”.

 Nessa noite, aquele monte de indiano me pegou pra sabatina. Me perguntaram como era o Brasil. Eu falei. Como eram as pessoas. Eu falei. Como era a religião. Aí eu falei que brasileiros são majoritariamente cristãos e que há uma ramificação infinita de religiões, doutrinas e seitas cristãs. O guru olhou o chef que olhou o irmão que olhou o cunhado que olhou pro chão. Todos ficaram incomodados e resolveram olhar pra mim ao mesmo tempo.

Foi quando o guru disse: “Vocês seguem aquele cara que morreu numa cruz? Eu já ouvi alguma coisa sobre ele”. E a conversa se estendeu por mais umas duas horas na cozinha do restaurante. Me contaram sobre suas divindades e, coisa estranha, uma delas também havia andado sobre as águas, outra não teve o corpo encontrado após a morte e também transformava coisas. Talvez água em vinho, ou sal em curry, não sei.

Muitas das coisas que julgamos fundamentais pra nossa vida não fazem parte sequer do entendimento de outra pessoa. E todos vivem na miséria de sua própria existência. Depois de uns dois meses, o chef comprou de um colega de quarto um computador e não tinha grana pra pagar o preço todo. Fiquei com pena e emprestei 200 dólares pra ele e disse pra me pagar no meu próximo salário, ou quando pudesse. Ficamos vendo uns clipes bollywoodianos e comendo umas samosas.

Somente ficamos amigos a partir desse momento.

  Prahbu Deva, o homem, o mito.

domingo, setembro 19, 2010

Não tenho namorado

Muito me irritam as amigas, algumas vezes. De maneira mais específica, as amigas que acreditam ter achado a tampa de sua panela ou, no mínimo, estão dando loucamente para o cara que chegou há pouco tempo para tapar o vazio da vida delas.

 Essa espécie é intrigante porque, na maioria das vezes, variam rápido de pensamento doutrinário: ora, quando sozinhas, dizem q homem é tudo igual, mas logo mais, quando se enroscam com alguém, afirmam que o amor é fogo que arde sem se ver. E, quando se encontram nesse estágio, comportam-se como aqueles administradores falidos que se dizem consultores e ganham a vida fazendo palestras motivacionais: tentam me enfiar pela garganta, numa traqueostomia forçada, a ideia de que eu preciso ter um namorado e que o contrário não é o que eu mereço nem o que deus reservou pra mim.

 Vejam, amigos, a que ponto chegam: me perguntam como eu consigo passar meus finais de semana sozinha, dia dos namorados sozinha, natal sozinha, sábado à noite sozinha, dia de finados sozinha, dia da sua mãe encoxada no tanque sozinha.

É que é assim: Em detrimento de companhia para todas essas ocasiões, eu agradeço de joelhos por itens muito mais importantes, como por exemplo:

 1) Não preciso aguentar a mãe de ninguém vindo me alisar, dizendo que meu cabelo está lindo e, em meia hora, cochichar no ouvido de outra véia da família dele que eu dei uma boa engordadinha nas últimas semanas

 2) Não preciso acordar no domingo às 10h para almoçar na casa da vó de ninguém, porque tem-se que se sentar à mesa exatamente às 11h30

 3) Não preciso me preocupar se fulano não apareceu na minha casa na hora combinada, nem se ele não atende a merda do celular, porque certamente está no happy hour com os amigos

 4) Não preciso assistir a merda nenhuma de futebol no domingo à tarde

 5) Não preciso me irritar com ninguém por causa de cara feia na frente dos meus amigos, no único dia do mês em que os vejo

 6) Não tenho que pedir permissão para ir tomar sorvete com um amigo

 7) Posso ver quantos filmes de terror eu quiser sem que ninguém buzine na minha orelha dizendo que tenho mal gosto

 8) Não preciso aturar o amigo dele que só fala de bunda e buceta na mesa do bar

 9) Não preciso gastar a minha saúde por causa de mensagens suspeitas no celular

 10) Não existe nenhuma ex-namorada psicopata tirando meu sono

 11) Não preciso me estressar com o gosto musical duvidoso de alguém

 12) Não sofro nenhuma pressão para ver filme de kung fu ou robôs que se transformam em carros.

 13) Não vou ser perguntada pelas duas famílias sobre o fato de ele estar me enrolando para casar

 14) Não levo chifre

 15) Não me decepciono

 16) Ninguém vai falar mal dos meus amigos, nem dos viados, nem dos que fumam maconha, nem dos que são ricos demais, nem dos que não têm emprego, nem dos que não são muito sociáveis, nem dos que já me comeram.

 17) Não sou coagida a aceitar convites para micaretas, Carnawhatever ou Reveillon na praia (em qualquer que seja praia sempre falta água e sobra aglomeração, ou seja, é sempre uma bosta)

 18) Não recebo questionamentos sobre ex-namorado nenhum

 19) Não gasto dinheiro com presente de Dia dos Namorados, Natal e Aniversário (veja que isso significa uma boa economia ao longo do ano)

 20) Não tenho que avisar ninguém sobre onde to indo depois do trampo

 21) Não tenho que trepar por falta de assunto

 22) Não tenho que inventar mil maneiras pra reacender a chama da paixão, de acordo com a revista Nova, sob a ameaça de que ele pode logo se emaranhar com a primeira mulher mais interessante do que eu. 23) Não vivo sob constante ameaça da perda

 23) Não sou metade de ninguém, compondo-me um objeto universal e íntegro em si mesmo.

 24) Tenho a liberdade de não trepar quando não estou com vontade sem precisar discutir porra de relação nenhuma por isso

 25) Não tenho que aguentar churrascos de família, com mil barrigas peludas sujas de carvão passeando por entre os meus desejos assassinos

 26) Não tenho que aparecer em merda de fotografia de eveto nenhuma

 27) Não sou chantageada para ir à formatura da quarta série do filho do primo do pai do cunhado num sábado à noite

 28) Não tenho sogra nem cunhado que vem passar férias intermináveis na minha casa

 29) Não devo satisfação da minha vida

 30) Posso sair tranquilamente, sem receio, linda e cheirosa, com o meu professor da academia, com o veterinário da minha cachorra, ou com o garçom da balada.

 31)Posso ir ao show do Sidney Magal de vestido de manga bufante acompanhada de um amigo de paletó de paetê, me divertir horrores e sem me preocupar se alguém tá gostando ou não.

 E por isso, podem me chamar de encalhada. Algumas panelas nascem mesmo sem tampa nenhuma, mas podem se tormar as melhores frigideiras do mercado.

  Cheerz.