Acordar com a certeza de que a vida não passava de uma farsa era tudo o que tinha praquele dia.
As roupas que faziam parecer mais magra, o carro que faz parecer mais rica, o livro na cabeceira que faz parecer mais inteligente. Tudo, nos últimos anos, tinha a simples função de fazê-la parecer maior do que realmente é.
A voz no telefone que deixa mais sexy, as fotos em que parece mais bonita, o trabalho que faz parecer mais competente, a barra de cereal no café da manhã que faz parecer mais saudável.
Tudo não passava de um superlativo. Uma lente de aumento que, aos olhos dos outros, fazia com que as coisas parecessem muito maiores do que realmente são.
Um msn que faz parecer mais companheira, uma agenda que te faz sentir mais ocupada do que realmente está, uma revista lida que faz parecer mais bem informada.
A verdade tá ali o tempo todo, sob um ego de madeira maciça revestida com o verniz impermeável da mentira. Piadinhas, churrasquinhos, cervejinhas, amiguinhos, fuminho, sozinho. Tudo pequenininho, sem um pingo de sentido. Sem sequer sombra de verdade.
Queria um iPod, um iPad, um iPhone um ai ai ai qualquer na cama. Mas doía mesmo era de dentro pra fora. Percebeu finalmente que, não importava o que sua mãe dissesse sobre sua pessoa, o quão incrível pudesse parecer para seus amigos. O resto do mundo não está disposto a ver a origem do seu fracasso, muito menos o porquê daquilo que parece 'sucesso'. Somente os mais próximos (mas próximos mesmo, como sua própria consciência) estão dispostos a lhe entregar um possível Oscar de Boa Pessoa. E olhe lá.
Como é que pode não haver nenhuma outra alternativa além desse curso de teatro meia boca?
Como é que pode não haver nenhuma outra alternativa além desse curso de teatro meia boca?

Nenhum comentário:
Postar um comentário