Bagunça. É isso que vejo quando me deparo com mobilizações populares em prol de alguma coisa. E que não me venham os malas do "a união faz a força".
Por mais fundamentais e bem sucedidas que tenham sido as revoluções de nosso mundo, seja a cubana, a russa, a industrial, todas elas só existiram porque uma única pessoa passou por uma modificação muito particular e, depois de injetar muita convicção em seus argumentos, conseguiu convencer outras tantas cabeças a lutar pelo mesmo ideal. Ou seja, revoluções nada mais são do que um grande bando de maria-vai-com-as-outras, seja para o bem, ou para o mal.
Collor saiu do poder em 1992 (ano que muitos aqui nem sonhavam em nascer) por causa de uma grande mobilização popular. Alguém, ali no meio do povão, decidiu que era o momento de dizer bem alto que aquele mauricinho era um grandissíssimo pau no cu. E outros acataram a ideia. E foram para a rua. Inclusive eu que na época, por causa da pouca idade como tantos outros, nem sabia direito o que ele tinha feito pra ser tão odiado assim.
O povo então pintou a cara, apitou, saiu na rua e derrubou o caboclo. E festejaram como nunca, celebrando o poder de uma nação unida, jovem, idealista. Pois que entraram outros no lugar de Collor. Os manifestantes tiveram seus filhos e netos, deram lugar a outros caras-pintadas, que hoje também se juntam em coro pra falar mal de alguma coisa ou de alguém. De preferência no twitter.
A ideia que eu defendo não é a de que as revoluções não servem pra nada. Servem. Mas na maioria dos casos, as pessoas estão lá de punho fechado e com as amígdalas inflamadas simplesmente para seguir alguma outra pessoa com maior capacidade de liderar massas e formar opiniões. Não importa o que há la fora, vamos lutar contra. Taí o MST que não me deixa mentir. Por mais nobre que tenha sido a intenção primária, o que eles se tornaram em maioria? Ba-der-nei-ros. Os defensores do meio-ambiente então? Tirando os verdadeiros cabeças-pensantes que lutam por isso há décadas, resta um puta bando de chatos incoerentes.
O desejo de pertencer à rodinha de convívio de um líder natural é o que incita a bagunça sem propósito. É o que promove desde manifestações populares que não vão servir pra nada até encontros de auto-intituladas blogueiras em cidade do interior com o único e nobre objetivo de estampar a coluna social. Todos querem parecer alguma coisa. E isso é muito mais confortável se for em grupo.
As verdadeiras revoluções acontecem quietas dentro de cada célula do nosso corpo. O desejo de ser alguma coisa a mais nessa vida, de mudar uma postura, de reverter uma situação, de difundir uma ideia em que se acredita brota a cada instante na nossa mente. E as atitudes a partir disso acontecem naturalmente. Sem barulho, sem plateia, sem seguidores, sem comparsas.
Quando dizem que eu sou arrogante por nunca gostar de aglomerados, costumo concordar. É que nunca sinto que eu caiba em grupinhos disso ou daquilo, em excursões pra praia, em religiões, em comunidades, em clubes, em rótulos.
Pode ser que minha revolução particular seja muito pequena para uma platéia que espera tanto espetáculo.

