quarta-feira, abril 27, 2011

Não acredite em revoluções


Bagunça. É isso que vejo quando me deparo com mobilizações populares em prol de alguma coisa. E que não me venham os malas do "a união faz a força".

Por mais fundamentais e bem sucedidas que tenham sido as revoluções de nosso mundo, seja a cubana, a russa, a industrial, todas elas só existiram porque uma única pessoa passou por uma modificação muito particular e, depois de injetar muita convicção em seus argumentos, conseguiu convencer outras tantas cabeças a lutar pelo mesmo ideal. Ou seja, revoluções nada mais são do que um grande bando de maria-vai-com-as-outras, seja para o bem, ou para o mal.

Collor saiu do poder em 1992 (ano que muitos aqui nem sonhavam em nascer) por causa de uma grande mobilização popular. Alguém, ali no meio do povão, decidiu que era o momento de dizer bem alto que aquele mauricinho era um grandissíssimo pau no cu. E outros acataram a ideia. E foram para a rua. Inclusive eu que na época, por causa da pouca idade como tantos outros, nem sabia direito o que ele tinha feito pra ser tão odiado assim.

O povo então pintou a cara, apitou, saiu na rua e derrubou o caboclo. E festejaram como nunca, celebrando o poder de uma nação unida, jovem, idealista. Pois que entraram outros no lugar de Collor. Os manifestantes tiveram seus filhos e netos, deram lugar a outros caras-pintadas, que hoje também se juntam em coro pra falar mal de alguma coisa ou de alguém. De preferência no twitter.

A ideia que eu defendo não é a de que as revoluções não servem pra nada. Servem. Mas na maioria dos casos, as pessoas estão lá de punho fechado e com as amígdalas inflamadas simplesmente para seguir alguma outra pessoa com maior capacidade de liderar massas e formar opiniões. Não importa o que há la fora, vamos lutar contra. Taí o MST que não me deixa mentir. Por mais nobre que tenha sido a intenção primária, o que eles se tornaram em maioria? Ba-der-nei-ros. Os defensores do meio-ambiente então? Tirando os verdadeiros cabeças-pensantes que lutam por isso há décadas, resta um puta bando de chatos incoerentes.

O desejo de pertencer à rodinha de convívio de um líder natural é o que incita a bagunça sem propósito. É o que promove desde manifestações populares que não vão servir pra nada até encontros de auto-intituladas blogueiras em cidade do interior com o único e nobre objetivo de estampar a coluna social. Todos querem parecer alguma coisa. E isso é muito mais confortável se for em grupo.

As verdadeiras revoluções acontecem quietas dentro de cada célula do nosso corpo. O desejo de ser alguma coisa a mais nessa vida, de mudar uma postura, de reverter uma situação, de difundir uma ideia em que se acredita brota a cada instante na nossa mente. E as atitudes a partir disso acontecem naturalmente. Sem barulho, sem plateia, sem seguidores, sem comparsas.

Quando dizem que eu sou arrogante por nunca gostar de aglomerados, costumo concordar. É que nunca sinto que eu caiba em grupinhos disso ou daquilo, em excursões pra praia, em religiões, em comunidades, em clubes, em rótulos.

Pode ser que minha revolução particular seja muito pequena para uma platéia que espera tanto espetáculo.    


terça-feira, abril 19, 2011

No final

Aconteceu. Os dias se passaram, mesmo que alguns meses atrás ela não acreditasse que eles pudessem passar. A dor parecia mais mansa, a tristeza menos feia, a solidão um pouco menos sórdida. E, como na vida real nenhum final costuma ser feliz, percebeu que não era a única a passar pelo desespero do abandono.

Depois de ter acreditado que havia encontrado o amor da sua vida, levou um pé na bunda. E foi um desses pés na bunda que deixam as mulheres se sentindo como se estivessem sendo acordadas no meio de uma crise de sonambulismo. Ou como se tivessem sido baleadas enquanto tomavam um picolé. Susto puro.

Ela havia interpretado errado os sinais, como costumava fazer nos últimos 30 anos de vida. Relacionamentos com ela eram cabalísticos: dava um ano e pimba, o cara dizia que não estava preparado para algo mais sério, ou que estava indeciso, ou que precisava se dedicar à família ou aos estudos. Algumas vezes os caras também eram sinceros dizendo que não estavam a fim.

Mas convenhamos, sinceridade nessas horas é o caralho. Mentiras combinam muito melhor com um final de relação. São muito mais graciosoas e burlescas do que uma verdade, que é muito sem sal, sem açúcar, sem drama, sem cor. O que acontecia, porém, era que ela estava saindo da fossa, seu habitat natural.

Numa dessas noitadas arranjadas pelos amigos que diziam que o carinha não valia mesmo a pena (discurso default dos amigos quando você é descartado pelo outro), ela o viu. O tal carinha estava sozinho.

Depois que o sangue dela saiu e voltou pro corpo 43 vezes, os olhares dos dois se cruzaram. E se descruzaram. E se cruzaram de novo. Como já estava ficando chato, ele tomou a iniciativa e foi falar com ela daquela maneira tão natural quanto um pacote de baconzitos.

Ela desviou, olhou de novo e também, espontaneamente, fez cara de surpresa. Oi! Oi! Quanto tempo! Como você está?

Conversas neste contexto tem a validade de dois minutos, tempo suficiente para azedar o assunto. E assim foi. Ficaram constrangidos como se estivessem sem calças no meio da balada.

Uma desculpinha e pronto, tudo resolvido, algum fantasma estava chamando e a conversa acabava ali. E era como se ele nunca tivesse estado dentro dela de todos as formas possíveis. Como se ela nunca tivesse tido medo dos trovões de madrugada e encontrado abrigo nos braços dele. Conheciam um ao outro, mas era pedir demais admitir isso diante das novas pessoas que tinham se tornado.

E seguiram a vida. Ele sem estar dentro de ninguém. Ela ainda com medo da chuva.  

segunda-feira, abril 11, 2011

É fantastico

Não foi uma das melhores notícias do ano essa aí de que um maluco pipocou crianças dentro de uma escola.
Daí vem a imprensa e diz que o cara tinha tendências terrorista pois quando criança era quieto, introvertido, não tinha amigos, escrevia coisas desconexas e se amarrava na ideia de exterminar com a raça humana.

Obrigada à Globo por tamanho esclarecimento.
Obrigada Raquel Pacheco por escolher dar o cu em detrimento à carreira terrorista.

Em tempo, eu fui suspensa do colégio aos 14 anos por xingar um colega de classe meio sonso e dizer que ele tinha sido achado no lixo. Encontrei ele na balada sábado passado.

Ele nem me metralhou.

Nem quis dar o cu.


quarta-feira, abril 06, 2011

Anos 90 revival

Neste momento de recesso, um video pra você e todo mundo cantar junto.
Vai especialmente pro Danilo Chiarotti, esse moreno sensual que só me dá alegria.