Existe uma grande diferença entre falsa modéstia, humildade e noção de realidade. Eu sempre apostei que a terceira é a única que nunca mente e que é também a mais difícil de encontrar por aí.
Suponho que o mundo esteja surtando e que há uma pandemia de auto-estima em que as pessoas se sentem na fissura o tempo todo. São fissuradas em amor próprio e confundem isso com um sistema solar girando em torno do seu próprio umbigo.
É no mínimo curioso perceber esse fenômeno: grande parte da galera adotou como objetivo de vida ganhar louros de reconhecimento do mundo todo. Até aí tudo bem, pois quem não gosta e precisa ser conhecido? O problema é que pra esses indivíduos o mundo se resume à família e colegas da internet. Uma falsa noção de realidade que vem contagiando cada vez mais desavisados.
Vejo gente se descabelando para conseguir a atenção da mesma plateia de sempre. O mesmo público cativo de meia-dúzia de pagantes que sempre aplaudem o seu show, independente da qualdiade dele. E por isso entendem o “todo-mundo”. Todo-mundo me curte, logo, sou uma pessoa pública. Famosa. Querida. E popular. Muito popular. Vou providenciar a minha noite de autógrafos mas, ops, não produzi nada para ser autografado. Ah, quem se importa?
Este tipo de esquizofrenia só é possível notar quando não se faz parte do todo-mundo de alguém.
Essa coisa de achar que aquele palestrante descolado da propaganda do Itaú tem toda a razão. Considere a hipótese de que você não vai dar uma guinada genial e que você não é o diferentão que em vez de ficar esperando vai lá e faz. Na maioria das vezes a gente foge da nossa própria realidade porque desde que nascemos exigem que sejamos super-heróis fadados ao mais puro creme do sucesso.
E a frustração maior chega quando nos deparamos com a tal da noção de realidade: nós nem somos tão bons assim na maior parte do tempo. E isso não chega a ser um problema. Portanto, não doi andar na realidade desde o começo. E aí você escapa da vulnerabilidade da falsa modéstia e da humildade.
Pra você e pros publicitários do Itaú, um 2012 bem mais realista.


