Bom, esse título foi só pra dá um ar de pé rachado, fã de MPB, de brasileiro que não desiste nunca e que acha que ostentar a curtição pelas letras do meu tempo é que eram boas é uma grande vantagem. Tudo porque não apareceu nada melhor pra dizer.
E sim, estou com dificuldades para escrever (talvez conversar, fazer amizades, ler, levantar de manhã, comer fibras e tomar água regularmente também), o que explica a ausência no último mês e a escassez de coisas razoáveis nos últimos tempos. Afinal de contas em quase 7 anos desse blog, era esperado que uma hora eu acordasse e percebesse o tamanho da minha babaquice.
Os últimos dias não foram fáceis (e agora aguentem o diário cotidiano): fui conhecer Cuba, a viagem com que sempre sonhei desde que fiz minha monografia entitulada “A Imprensa Alternativa durante o Golpe de 1968” e era uma estudante de jornalismo que gastava o tempo pensando na igualdade social. Descobrir que Marx realmente não faz sentido algum foi bem mais natural do que saber que o Michel Temer é satanista (me contaram isso esses dias e não pude esconder meu preconceito).
Eu poderia escrever noventa e cinco posts sobre as coisas que eu vi por lá, mas sabe, rola uma fadiga, um pensamento de que não precisa. Tenho visto que não preciso fazer mais um monte de coisas.
Enfim, dessa viagem surgiram alguns embriões de trabalho – que meudeusdocéu, como eu gosto de jornalismo de turismo <3 - e uma doença misteriosa que me faz tossir incessantemente, numa linha de produção de catarro incrível, que daria inveja à Kraft Foods.
As coisas mudam não é? Andam pra frente ou, na pior das hipóteses, para os lados. Mas sempre andam. O trabalho anda me consumindo bastante desde que decidi me libertar da CLT, o que escancarou meus níveis de ansiedade e me indicou doses de terapia. Ok, ok, caminhos escolhidos, não reclame, Francine. O dinheiro está bom e trabalhar sem chefe é uma dádiva.
De repente, essa coisa de dar opinião me pareceu muito boba. Meus próprios textos começaram a me irritar, de forma que eu me envergonhei de vários deles, não pelo conteúdo em si, mas por um dia eu ter acreditado que usar meu tempo escrevendo aquilo iria servir para alguma coisa. Não sei para que.
Passei a gostar mais do silêncio e das folhas em branco, a ter preguiça das minha próprias convicções. Me senti como o carinha lá, do Mito da Caverna ou como o Carlinhos Brown levando garrafadas no palco.
Algumas mudanças aconteceram e alguma coisa saiu do eixo. Pode ser a crise dos 30 anos, pode ser os vermes que eu peguei tomando a água de Cuba, pode ser que eu esteja morrendo, pode ser que eu tenha tido mais vontade de cozinhar do que ir em eventos de comunicação. Desisti de mudar a cor do cabelo bimestralmente.
Desisti de fazer e de tentar mudar outras coisas. E até que é boa a sensação de jogar a toalha. Quase um alívio.
3 comentários:
De uma certa forma, entendo o que quer dizer.
Já que tá cozinhando, faz um miojo de galinha caipira para mim?
:)
Abraços Fran.
acho que isso ia acontecer alguma hora. mas vou sentir falta disso aqui
é sem dúvida um oásis
valeu Fran. beijos
Essa é a famosa crise Blogger, aparece de tempos em tempos, e passa! Bjos Fran
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